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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Vouga Trail 2023 - 25k - De volta aos Abutres 2015?!?

Editado a 15/01 para acrescentar as fotos da lentinha... ;)


Decidi inscrever-me em Dezembro, após os 18kms dos Picos do Açor.
Adorei a experiência de voltar a correr "fora de casa", desfrutar dos trilhos sem pensar em competir!
Tinha de repetir e, desta vez superar-me, sair novamente da "zona de conforto" de provas abaixo dos 20kms...

Natal e Passagem de Ano já foram, chega a primeira semana do ano bem intensa, entre trabalho e cenas da vida que me roubaram alguma energia, mas que me deram ainda mais vontade de cumprir este desafio até ao fim. 💪

Sabia que as previsões meteorológicas para o fim de semana não eram agradáveis, mas o som da chuva a cair lá fora, adiou por uns minutos sair da cama... Até que saltei de debaixo dos lençóis, "Vamos lá aos Abutres 2!"

- "Inês, deixa a mamã vestir-te. Vais para casa da avó, que eu vou correr!
- Não, não, não!
- Sim, sim, que eu gosto de correr!
- Não, a mamã gosta da Inês e do Simão!
- Sim, a mamã gosta muito de vocês, mas também gosta de correr" 😉

Fui até Sever com este pensamento e a ele voltei durante alguns momentos mais desafiantes: "Estou aqui porque gosto!", "Ninguém me obrigou!", "Está a ser divertido!", "Sorri!"

A chuva não parou um segundo que fosse durante as quase 4h da minha prova, nem sequer antes do arranque, pelo que optei por fazer o controlo 0, o mais tarde possível.
Antes disso, tentei perceber o percurso, de modo a que o André pudesse ver-me a passar em algum ponto, mas sem qualquer expectativa de o voltar a ver antes de chegar à meta. Não havia quaisquer condições para ele tirar fotos, nem estar parado (minimamente seco) à espera de alguém a passar...
Só para chegar ao secretariado já tinha ficado toda molhada!

Enfim. Siga, sem reclamar!

Após pouco mais de 1km de estrada a subir, ainda dentro de Sever do Vouga, não tardou a entrarmos nos trilhos completamente encharcados, enlameados e bem espezinhados pelas centenas de atletas da Ultra e dos 35kms... Pois...

A chuva constante, humidade intensa (calculada por mim, de 99% 😝 - só porque conseguia respirar fora de água trrrr), lama um pouco acima de q.b, água a jorrar por todos os cantos fez-me logo relembrar os primeiros kms dos Abutres. Precisamos também de atravessar uns poucos riachos, com àgua pelos joelhos, mas 'tá-se bem.


Estava a ser mesmo divertido!

Até porque nunca caí (que feito!) e, felizmente, não assisti a nenhuma queda aparatosa. 

Agora sim, estava a conhecer Sever como deve ser... E a reconhecer alguns locais por onde já tinha passado, noutras andanças 😎



Fiquei de queixo caído ao passar a Cascata da Cabreia!
Nunca imaginei que estivesse com toda aquela pujança! Realmente impressionante! Linda! E já a meter o seu respeito... 

(não, não sou eu de cabelo curto :P. É só para verem bem com estava a Cabreia!)

Cheguei ao primeiro abastecimento, aos 8kms, de sorriso nos lábios. Mais do que uma pessoa me perguntou se eu estava contente. "Então não havia de estar?!"

Mas a força bruta da natureza veio a revelar-se um pouco mais à frente. 

Algures no km 11, o ribeiro tinha-se transformado num rio e não havia ponte ou corda onde me agarrar...
"Ora bem, eu com pouco mais de 5okgs devo ir por aqui abaixo!"
Felizmente, tememos todos o mesmo. A rapariga que, pouco antes, me tinha ultrapassado, parou, esperou uns segundos por mim, demos as mãos e ela também deu a mão a outros 2 que estavam à nossa frente. Ficamos ali, 4 pessoas agarradas umas às outras, passinho a passinho até chegar à outra margem. Com imensa ajuda de um senhor que ficou parado, dentro de água, próximo à margem do outro lado, para nos ajudar a progredir.
Não cheguei a perceber se era atleta ou da organização, suponho que seja a última hipótese. Mas mal saí da água a tremer com a adrenalina, senti medo... Medo mesmo, do género, "podia ter morrido... Gosto disto mas não foi para isto que eu vim!" E a pensar naquele senhor que ficou para trás, dentro de água, a ajudar outros atletas...

Obriguei-me a continuar, a pedir para não voltar a passar por um desafio assim. O trilho continuou sempre junto à água (quer dizer, a prova toda foi com água por perto, ao lado, por cima, por baixo!!!). Chovia imenso e, no entanto, fiquei com a ideia de ter sido a prova em que mais líquidos bebi.

Uns 500 metros à frente, voltamos a passar numa zona perigosa, nova travessia de rio. Desta vez mais estreita e com ajuda de um membro da organização que estava agarrado a uma árvore com uma das mãos, um pé dentro de água e a outra mão firme que nos ajudava a passar para cima de uma espécie de ponte, que mal se via, por debaixo da água a correr super rápido... 

Nova quebra emocional... E se o rapaz não estivesse ali? Caramba. Isto está de mais! 

Uns metros à frente, já a subir, cruzei-me com outro voluntário que ia com um saco grande na mão. Finalmente iam colocar alguma coisa para tornar aquelas travessias mais seguras! 

(soube, quando já estava em casa, que um rapaz terá ido arrastado pela água uns metros, mas que se conseguiu agarrar a um tronco e safou-se! 😱) 

Ok.. Ribeiros e rios já temos que chegue. Falta a subida. Será que é desta que acaba a água? 

Não, Daniela. Esquece lá isso.

Todos os trilhos tinham lama ou água com fartura, a terra não aguentava nem mais uma gota e não parava de chover! Os socalcos do terreno eram pequenas quedas de água, nas zonas mais planas formaram-se poças gigantes e mesmo os estradões, que cruzamos, estavam transformados em "rios".

Ainda fui passada pela Isabel, minha companhia nos Picos do Açor, sempre deu um pouco de ânimo ver uma cara conhecida. Ia cheia de energia, eu nem por isso...

A subida pareceu interminável... Nem é que tivesse uma inclinação impossível, mas...

Não sentia muito frio, tinha tirado o capuz há imenso tempo, ia apenas com o buff a fazer de bandolete, casaco "impermeável" completamente encharcado mas sempre fechadinho, mãos brancas e inchadas, luvas nos bolsos da frente do casaco todas molhadas, era indiferente tentar colocá-las nessa altura...
O vento ia aumentando à medida que subia e estar, constantemente, a meter os pés da água já se estava a tornar um massacre!
Ainda parei uns segundos, sentada num posto de transformação. Precisava de uma pausa, mas teve de ser muito breve, não podia deixar-me arrefecer.

"Enquanto não chegar lá acima, a água não vai parar", pensei. 
Acabei por dizer isto em voz alta, para o rapaz que ia ao meu lado há uns metros. Ele acenou com a cabeça.

A primeira metade da prova foi, praticamente, o tempo todo assim, em silêncio. Virada para os meus pensamentos. Os trilhos e a serra a imporem todo o respeito e cuidado. 

Fui gerindo a minha energia com pequenos goles de isotónico, uma barrita, que mastiguei imenso tempo e, mais tarde, um gel. Não repeti o erro do Açor. Parei e comi nos 2 abastecimentos. Sem comer/beber não ia aguentar este desafio...

Um bom pedaço depois de passarmos uma placa a dizer "Rota da Água e da Pedra" chegámos, 
finalmente, à parte mais alta! Chuva a bater tipo facas na cara, bora correr pelo estradão abaixo. E que bem que soube aquele pedaço de descida! Fiquei mais quente, ganhei outro ânimo!

Volta e meia via fitas pelo chão, não resistiram aos elementos... Houve um local ou outro em que fiquei na dúvida em relação ao percurso mas nada que levasse a me perder. Nessa altura já ia mais ou menos a par com as mesmas pessoas, que tenha conhecimento dos nomes, os Antónios e a Nádia, com as meias F*ck Covid 😁

A chegada ao segundo abastecimento desde o início da descida acabou por ser rápida e soube tão bem parar e comer, ainda que o local fosse frio e sem grande abrigo para a chuva que vinha de todos os lados... Nova receita: marmelada com sal 😖

Certo, faltam 8kms, as minhas costas ainda se estão a aguentar bem, "já não há-de ser nada!", vamos ao resto!

Mantive-me perto dos mesmos até ao final e acabei por passar algum tempo a conversar com a Nádia e com um dos Antónios. Os temas começaram pela nossa naturalidade, as provas que já fizemos e, entretanto, dei por mim já a falar sobre o meu trabalho. Pronto, quem me conhece sabe que esse tema dá pano para mangas... 😜
O que é certo é que os kms passaram e mal dei por eles, as subidas faziam-se mais a caminhar que a tentar manter o trote, fui passada por várias pessoas nestes últimos kms, mas não dei importância, não dava para muito mais. Ainda assim, sempre que podia, corria. Já era hora de terminar!
Mal conseguia ver o que dizia no meu relógio, tinha apontado para mais de 3h de prova e já ia perto das 4h... 😬
Como era de esperar, não vi o André toda a prova. Também mal vi os fotógrafos debaixo de umas capas pretas (nem eles me viram a mim, né? fotos com aquela chuva?...).

Travessia de estrada mais larga... Já estamos na civilização, está a acabar!

Ainda voltei a passar o António das cãibras, a Nádia, idem-aspas, incentivei-os a seguirem.
Comecei a ouvir o microfone e mantive o ritmo, já sozinha pelo parque da cidade.

Na pequena rampa até à meta, qual campeã (toda molhada a parecer um pito 😅), tirei finalmente o casaco e a mochila: há que mostrar as cores do clube a chegar à meta!



Tá feita!!! 💪
E estou viva!
Cumpri o desafio "pintado de verde" e também de castanho-pantone-laminha 😅
Cheia de frio, mas viva 😁


Mais uma prova para a história...

Qual será a próxima?!?


P.S.: Tal foi a aventura que me deu vontade de ressuscitar este blogue ao fim de uns 3 anos. Só para acrescentar que enquanto me lembrar da trabalheira que dá escrever aqui, não volto aqui, ok? Até à próxima!!! 😅

domingo, 7 de abril de 2019

Zela SkyRace 2019 ou Trail do Pedregulho e do Granizo nas trombas

Saímos de casa com a chuvinha a cair com vontade. Passámos por uma zona com neve na estrada e o granizo a bater no vidro praticamente todo o caminho na autoestrada...
"Tá bonito" pensei.
E o A. também...

Já em Vouzela a chuva parecia começar a dar tréguas quando fomos levantar os dorsais, mas logo continuou... Ainda assistimos à partida dos 42k e a imaginar o que já não tinham passado os dos 63k desde as 7 da manhã...
O A. queria desistir. Estivemos um bocado no carro a pensar no que fazer (nota: para a próxima voltar a chegar em cima da hora!).
Também ponderei desistir mas...
"O pá vamos lá! "

Já tínhamos faltado no ano passado. Íamos perder a oportunidade, estando ali? Siga e logo se vê!

Num instante fomos para a zona da partida e começa a abrir o sol. O que é certo foi que arrancamos com sol e assim se manteve por uma hora.

As pernas não acharam muita piada ao arranque a frio. Estavam pesadas e não respondiam à minha vontade de manter o trote nas subidas.
Aos poucos lá me fui sentido melhor.
Depois da primeira escalada de pedregulhos de granito comecei a correr.

A organização apelava à nossa criatividade. As fitas estavam espalhadas pelas encostas de pedras com distância suficiente para cada um decidir qual o melhor caminho. Diria que, às vezes até estavam afastadas de mais nas zonas de escalada. Ou eu andava ceguinha! :P
Mas não me perdi. A velocidade a que fiz a prova não o permitia ;)

Adorei o percurso, com um sobe e desce de parte pernas, maioritariamente em zonas repletas de pedregulhos para escalar ou descer, como manda a paisagem da Serra do Caramulo e algumas passagens pelo rio, a saltar de pedra em pedra.


Os vestígios do fogo de há mais de dois anos ainda lá estão. Por várias vezes fiquei com as mãos todas pretas por me apoiar nos troncos queimados, mas a vegetação baixa já estava verde e crescida para colorir a paisagem.

Menos agradável foi estar no cimo do monte a levar chapadas de granizo de lado na cara e a ver os relâmpagos a cair a curtos metros de distância...
Foi o que me fez despachar para sair dali o mais rapidamente possível e ainda passei uns atletas dos 42k antes da divisão (!)

Desde aí vim acompanhada por um sr que afinal é quase meu vizinho e que já tinha conhecido no Trail da Lousã. À conversa e com alguém a puxar por nós, custa menos ;)

A parte final foi bastante rolante e lá consegui acabar às 12:30, objetivo que tracei mais perto do final.

E à chegada a surpresa de ter feito 5º lugar Fem! (4º SenF)
Not bad... ;)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Nascer está a mudar

Há muito que não escrevo sobre a minha outra paixão, a saúde materna...
Já lá vão 4 anos que sou especialista nesta área, mas é um amor bem mais antigo.

Quando engravidei, decidi que não fazia sentido partilhar aqui os meus pensamentos e ideias sobre a maternidade. Não queria tornar isto um babyblog.

Mas desde que fui a uma formação sobre Parto Ativo com a inspiradora Janet Balaskas (fundadora do Active Birth Center em Londres) que renovei a minha motivação para defender, conforme posso, a bandeira do parto.
O mundo precisa de mais partos naturais, fisiológicos, ativos, não apenas pelo movimento físico, mas pelo papel ativo que a mulher/casal/bebé podem e devem assumir no seu parto/nascimento, sempre que tal é possível.

No meu dia-a-dia de trabalho (numa maternidade central) assisto diariamente à força esmagadora das políticas do nascimento.
Refiro-me a todas as normas, deveres, obrigações no parto institucionalizado que não respeitam a liberdade/autonomia/poder/capacidade da mulher/casal/bebé para parir/nascer.
São políticas que não oferecem opções naturais, pelo contrário, forçam a intervenções para minimizar o efeito de outras intervenções.
E, em muitos casos, não se regem por evidências científicas, mas apenas por tradição, porque "aqui' é assim...
Porque mesmo quando o risco é baixo, é sublinhado o medo e o risco do parto. Risco que é aumentado de sobremaneira pela interferência médicas e tecnológica.

Encontrei hoje este texto no facebook do "Badassmotherbirther" e fiz a minha tradução:

"Imaginem o quanto as políticas de nascimento mudariam se todas as mulheres:
- Percebessem que são elas que têm o poder
- Percebessem que elas e só elas dominam o seu corpo
- Não fossem ensinadas a ter medo do parto
- Lhes fosse perguntado se podiam ser tocadas em vez de forçadas
- Fossem ensinadas a acreditar no seu corpo e no parto

Imaginem o quanto as políticas de nascimento mudariam se o parto fosse considerado um evento natural da vida em vez de uma emergência


Imaginem o quanto as políticas de nascimento mudariam se tomassemos o parto como algo nosso

Não As políticas de nascimento deixarão de existir quando elas não tiverem mais poder sobre o TEU parto

Uma mulher confiante, tem opiniões e consegue parir segundo os seus termos é muito assustadora para as políticas do nascimento


As políticas do nascimento têm medo que TU acordes


Imagina se os papéis fossem invertidos e estas tivessem medo em vez de ti..."




Para terminar, só para esclarecer e não pensarem que estou doida:
Os avanços da tecnologia e da medicina são uma importante conquista. Felizmente temos fácil e rápido acesso às mesmas nos casos em que são realmente necessárias ou sempre que são necessárias.
Mas para tudo, deve haver peso, conta e medida, para que o benefício da sua utilização não se torne inferior ao prejuízo.
O parto é um acontecimento normal, natural, fisiológico, para o qual o corpo da mulher e do bebé estão preparados. A cultura é que nos fez esquecer isso...

Mas a cultura já está a mudar ;)


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Nelo Tri-Epic 2018

Passados uns anos e com alguns kms de treino de corrida nas pernas, aceitei o desafio de participar no TriChallenge, aquela que até agora foi a única prova que me fez desistir...

Como o desafio ainda mete o seu respeito (35kms BTT, 15kms Trail e 6kms canoa!!!), tenho-me preparado conforme posso para o superar. A ideia será sempre e "só", chegar ao fim (apesar de sonhar com um pouco mais, claro :P)

Ora, nada melhor para treinar para uma espécie de triatlo que outra prova semelhante (apenas com menos kms na parte da canoa - 3 em vez de 6kms), e igualmente com GPS como única forma de orientação. Sendo assim, rumámos a Barcelos no fim de semana passado, com os meus sogros para tomar conta do puto, para participar no Nelo Tri Epic, uma organização dos bem conhecidos Amigos da Montanha.
O melhor e que mais aliciava o André era a ideia de poder ganhar a prova à geral e levar como prémio a canoa Nelo 510 Cup (patrocínio super espetacular da Nelo!)...

De acordo com a lista de inscritos, eu era a única mulher a fazer a prova individual. As outras participantes iam às estafetas por modalidade. Apesar disso, e mesmo sem a companhia da minha amiga que fará dupla comigo no TriChallenge, estava decidida a ir e chegar ao fim. Mais um pódio "garantido" portanto ;)

Acabámos por ficar em Braga na véspera e ainda fomos dar uma voltinha às ruas do centro histórico depois de jantar, já que era o fim de semana do São João. Mesmo de noite estava imenso calor e previa-se um bom dia de praia no sábado...


À partida, o speaker com o seu sistema de som móvel tipo troley (achei piada à coluna com rodinhas :P) veio logo falar comigo, porque supostamente eu era a única mulher no arranque. Já estava com os nervos pré-prova, mas ainda deu para trautear a música do Anselmo Ralph :D
Acabei por saber, um pouco mais tarde, que havia outra senhora na prova individual, uma espanhola, sem GPS. Não me perguntem como fez a prova, mas acredito que tenha andado sempre colada ao grupo do fim.

Arrancámos uns minutinhos depois da hora prevista e o meu GPS vai abaixo passados uns segundos!!!
Pensei que estava tramada, mas depois de o desligar e voltar a ligar (velho truque de engenharia avançada LOL) ele voltou à vida e nunca mais falhou.
Siga, pela estrada, a ganhar velocidade para não ficar muito atrás. No entanto, percebi que nem era preciso esforçar-me muito, o pessoal parecia ir a medo, afinal ainda tínhamos muitos kms pela frente...

Já no trilho, consegui passar dois meninos (adoro passar gajos eheh) e fui andando bastante tempo sozinha, a um ritmo satisfatório para mim que não percebo nada de BTT, sempre a ver se não me enganava muito com a navegação.
Depois do km 20, comecei a ver dois rapazes à minha frente e meti na ideia que havia de os ultrapassar. Há que criar objetivos para motivar  :P
O problema foi que pouco depois começamos a subir a sério, pelo meio de calhaus de granito, à bela maneira da montanha dos Amigos.
Um pouco mais à frente, acabei por conseguir apanhar os rapazes e ultrapassá-los, toda contente. Mal eu sabia que iam ser a minha companhia e apoio no trail...

Mais ou menos aos 30kms comecei a ouvir rancho, estava no Minho, carago!
Tão bom sair do monte e perceber que já estamos perto da civilização :P
Estava quase a acabar a primeira etapa!
Tirando o calor e já ter um bocadinho de fome, estava bem disposta e pronta a seguir.
A verdade é que não havia um único abastecimento de sólidos em nenhuma das etapas, só na zona de transição. Estava à espera disso e supostamente precavida, mas um dos géis que levava deve ser saltado do bolso do equipamento...

Antes de chegar à zona de transição, cruzei-me com um atleta com dorsal de trail a correr, perdido, no percurso do BTT. Tinha a certeza que ele estava enganado, não havia ali coincidência dos tracks de GPS, por isso avisei-o para voltar para trás.

Na transição, confirmei com o meu sogro que a prova do André estava a correr bem, comi o que pude, certifiquei-me que levava os flaks cheios e geis e barritas para o que fosse preciso.

Custou bastante fazer a mudança das pernas do modo bicicleta, para modo corrida. Já estava imenso calor e eu que nem gosto muito de BTT, só me imaginava a fazer os 14,5kms de trail em cima da bike...

Lá segui em passo meio lento e encontrei o atleta-perdido (esqueci-me de lhe perguntar o nome!), já tinha feito 2km a mais. Seguimos a par num single track agradável  junto ao rio e ainda acompanhámos por um bocadinho dois atletas das estafetas, todos frescos.

O calor da hora de almoço era insuportável, mesmo à sombra não se sentia grande alívio... Quando aparecia uma subidita, parava logo de correr. Ia seguindo a passo, não dava para mais.

Fui seguindo sozinha e pelos 3/4km apanhei um grupo de rapazes da zona de Vila Real que também iam quase sempre a passo. Ainda brincaram comigo "Vais ao pódio, mas ainda tens de penar!"
Agradeci com o melhor sorriso amarelo que arranjei e lá fui andando com eles até que o trilho tornou-se mais plano e acabei por recomeçar a correr, devagarinho e eles ficaram para trás.

Pelos 5,5kms, tínhamos de atravessar uma estrada bastante movimentada. Estive ali uns minutos ao sol a tentar passar e já meio desorientada, vi uma paragem de autocarro do outro lado da estrada com um banco de madeira. Tinha MESMO de parar.
Sentei-me, e acabei por me deitar logo a seguir e pôr as pernas para o ar. Estava super quente e quase de certeza hipotensa.

O grupo de rapazes apareceu, perguntaram se precisava de ajuda, mas disse-lhes para seguirem. Na altura ainda acreditava que ia recuperar.
Tentei levantar-me duas ou três vezes mas estava muito zonza...
Ia ter de desistir... Caramba, logo no início do trail!!

Quando estava a ponderar se esperava mais um pouco ou ligava para a organização, apareceu um casal de carro a oferecem-me água. Lembraram-se de vir dar apoio só porque sim. Como disse o rapaz "eu também faço trails e sei como é levar a marretada"

Entretanto, apareceram os dois rapazes que eu tinha ultrapassado no BTT, o João de Famalicão e o Miguel de Rio Tinto. Continuaram a partir daí sempre comigo.

Só me comecei a sentir melhor depois de me molharem as pernas e braços. Estava mesmo quente e sem aquela preciosa ajuda não tinha conseguido continuar.

O casal ofereceu-nos água, cola, bananas, melancia. Tinham tudo! Sem outras palavras, simplesmente fantásticos!
Já estava bem melhor quando apareceu uma carrinha da organização. Estavam uns metros à frente e o grupo de Vila Real tinha-os avisado que eu não me estava a sentir bem ;)

Com a recuperação possível, agradecemos imenso ao casal e lá segui na companhia dos meus novos amigos.

Desde esse momento, sempre que havia pontos de controlo com água, fazia questão de me molhar toda e  encher os sacos, sempre a sonhar com um mergulho no rio quando fosse a parte da canoa.

Apanhámos o grupo de Trás os Montes no ponto de controlo seguinte. Um deles estava muito em baixo, o Daniel, lembrava como eu estava há uns minutos atrás. Molhei-lhe as pernas e dei-lhe algum ânimo mas sabia que, felizmente, ele tinha companhia e eu tinha que seguir enquanto podia.

Depois de subir um bom bocado e nos debatermos com o track do GPS (se estivesse sozinha tinha-me perdido muito mais vezes...), finalmente chegámos ao marco geodésico, o pico mais alto do trail (onde me lembrava de ter passado no primeiro trail em que fiz na minha vida!). A partir daí era "só" descer até Barcelos. Foi a parte mais rápida e divertida. A saltitar pelo meio das rochas de granito.
Quase no fim da descida da montanha, acabámos por apanhar novamente o atleta-perdido. Já ia com quase 19km!!! Que pontaria pro engano :P

Nos últimos kms do trail, fui tentando correr mas a falta de sombra à chegada à cidade, estava outra vez a dar cabo de mim.
Passámos pelo riacho que nos tinham dito que existia, mas o muro para sair de lá era demasiado alto para eu conseguir trepar... Siga, ao calor...
Já em Barcelos, os meus companheiros começaram a correr e eu fui andando conforme podia, a tentar estar à sombra tanto quanto era possível.

Em 14,5km de trail devo ter feito mais de metade a andar. Nunca me tinha acontecido.
Lembrei-me imensas vezes do TSM debaixo dos 40 graus de Portalegre. Foi demais. Mas o que interessava era chegar ao fim.

Perto da zona de transição, vejo o André já sem o equipamento. Estava contente por só faltar a parte da canoa, mas ao mesmo tempo, completamente estourada! Nem me lembrei de lhe perguntar como tinha corrido a prova e em que lugar ficou.
Só lhe pedia água, cola, bananas... :P

Enchi duas garrafas de água, enfiei-me dentro do colete, dei uma beijoca ao meu pequenito que estava todo sorridente na zona da meta e segui a passo para a zona de entrada no rio.
Ainda não conseguia voltar a correr.
Tinham-nos avisado que ainda ficava a uns 300m de distância e bem que custaram a fazer esses metros.
De qualquer maneira estava feliz, eram mais ou menos 14h. Ainda tinha uma hora para fazer a parte da canoa até ao suposto limite temporal da prova.

Quando cheguei ao rio, esqueci-me de dar o tão esperado mergulho. Tava mais preocupada em orientar-te com os pedais (nem sabia que existiam pedais na canoa! :P) e pagaias!

Lá fui andando aos esses até me orientar mais ou menos com aquilo e siga rio acima.
Do lado direito começo a ver um atleta na água. Tinha virado a canoa! Pensei "tou lixada, então isto vira?"
Uns metros à frente percebi que era o atleta-perdido. Só podia!! 

Decidi continuar porque se o tentasse ajudar caía à água também. Entretanto veio um barco a motor da organização ajudá-lo a virar a canoa.

Do outro lado do rio, já vinham em sentido contrário os meus companheiros do trail. Todos contentes e a dar-me força para continuar.

Só nesta altura apareceram algumas nuvenzitas no céu e vento para ajudar a refrescar. Já me sentia outra. Só faltavam um bocadinho de nada para acabar!

Antes de chegar à bóia, ainda me atrapalhei com as algas que prendiam o leme, mas um senhor da organização que estava de canoa, veio-me dar um empurrãozinho.

Já no sentido da corrente, fui aumentando o ritmo.
Passei pelo Daniel (aquele que estava a morrer no trail como eu) e fizemos uma festa! Pensei que ele tinha desistido, mas lá vinha ele com o resto da malta de Vila Real.

Fui o mais rápido que consegui até à margem e depois de ter calçado as sapatilhas, bota a correr pelo trilho fora até às meta! Já não parei. Estava fresca e cheia de energia. Nem parecia a mesma.



Ainda deu para mandar um salto ao cruzar a meta :D

O pessoal da organização veio ter comigo a dar os parabéns. Já disse que eles foram todos super simpáticos? Acho que não, mas digo agora: impecáveis!

"Parabéns, e ainda tens direito a uma canoa!"
"O quê?!?"

Só aí fiz o clic: o André tinha ganho a prova! Uhuuuu!!!
A canoa é nossa!!!
E vai ser em rosinha-choque, como eu pedi... 😊


Antes da entrega dos prémios, já passava das 15h, vimos chegar do trail um grupo grande onde estava a outra mulher em prova individual.
A organização fez questão de esperar para ver se ela acabava a prova e ia ao pódio comigo, mas demorou bastante a ir para a canoa e lá fui eu (sozinha) mais uma vez ao pódio:

1.º lugar femininos! Eheh


Depois deste relat
o super extenso (sorry not sorry!), só posso acrescentar:

Que prova espetacular!
Recomendo! Sem dúvida alguma.

Organização 5 estrelas, super simpáticos, trilhos bem escolhidos e com técnica q.b. dada a dimensão da prova, pontos de controlo bem espalhados pelo trilho. Melhor só mesmo com um posto com comida a meio do BTT.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Ai malhão, malhão, que vida é a minha?!


7º Trail Solidário para as Associações dos Animais A4 e AAAAV?!

Bora lá que os patudos precisam de ração!
Nunca tinha participado neste trail não competitivo que já se realiza há uma série de anos, apesar de ir contribuindo volta e meia com ração e donativos para a associação local.
Comecei a criar algumas expectativas de acordo com as fotos que iam publicando dos trilhos e conhecendo quem os estava a escolher...
Sem medo, há que inscrever nos 20km. É tudo ou nada, não é?

Não contava era levar a bela malha que levei!!!

Ora bem,
Treinar que é bom, tá quieto! Abaixo do mínimo na semana passada. Uma voltinha de bike, e, e...
Dia anterior super cansativo. Jantar pizza às 22:30 já a morrer de fome. Equipamento e afins por organizar.
Uma dorzinha incomodativa na coxa direita a lembrar-me para ter juízo e ir aos 10km. Está bem, está.
Saí de casa sem o GPS nem a minha água com magnésio (e a falta que ela me fez! Ou pelo menos do efeito placebo que ela tem :P)
A organização não forneceu dados sobre o percurso, altimetria nem nada dessas "niquices". Pra quê?
E eu esqueci-me de equacionar o facto dos trilhos terem sido escolhidos pelo raio dum pókemon ultra runner, mais conhecido por Nuno... :D
Pelo menos fiquei satisfeita por ter 5 sacos grandes de ração para levar (aproveitei os meus anos para pedir ao pessoal e comprei mais dois ;)



Resultado,
Trilhos espetaculares!
Percurso muito bem escolhido e exigente o suficiente em termos de técnica e acumulado, dado ser uma zona "baixa".

Conhecia a maioria do percurso, afinal é onde temos treinado, mas tive o privilégio de passar a conhecer outras zonas aqui tão pertinho e reparar nas ligações muito bem pensadas.

Acabei por servir de "guia turístico" ao Américo (o senhor que está atrás de mim nesta foto) durante todo o percurso, mesmo para o final, quando já ia a meter nojo de tão morta e acabada que estava :P

O pedaço inicial era maioritariamente de estradão para dispersar e evitar engarrafamentos nos single tracks, exatamente como eu gosto.
De seguida entrávamos no mato com subidas e descidas mais técnicas.
Apesar de algumas (curtas) ligações por estrada, de um novo estradão ao sol que arrumou comigo e de termos passado num ponto de água antes da organização lá chegar (!), voltámos a entrar no mato, numa zona nova para mim, sempre muito interessante e corrível, se eu não estivesse a morrer, claro.

Afinal pela minha orientação, continuávamos (tenho de falar sempre no plural porque era eu e o meu amigo Américo ;) a afastar-nos da meta e além da parte física, psicologicamente já estava a ficar passada... Só pensava como é que já tinha corrido 42km no calor alentejanoMas tudo bem, não estava numa prova, há que encarar como treino e chegar ao fim.

Até que fomos passados por um rapaz que, ao contrário de nós levava GPS e nos disse que já íamos com 21km e que (já) havia água lá atrás na passagem da linha... Quê???!!!
"Vou apertar o pescoço ao Nuno!!!"

Bem, nada a fazer, siga que já não há de faltar muito. Digo eu!
O problema era a água... Estava imenso calor e eu já tinha acabado com a minha. Claro que não ficámos satisfeitos de termos passado por um ponto de água sem ela ter ainda chegado, ou até de já terem passado imensos kms ao calor desde o único abastecimento, mas lá está, era um trail solidário, não podíamos exigir muito a uma organização com tão poucos recursos. Mas pelo menos podiam ter avisado do acréscimo de kms, vá!
Já rezava por chuva, mas lá seguimos até que passámos no meio de um armazém abandonado onde tinham deixado umas benditas garrafas de água. Aleluia!


(bem mais satisfeita depois de beber água. Fotos do A.)

Deu para me animar para os últimos kms, apesar de continuar na dúvida quantos seriam...
Chegámos finalmente ao segundo abastecimento, já com +-23km e disseram-nos que se seguíssemos o trilho eram mais 3km.
Porra, tou farta de sofrer! Siga pela estrada que é mais perto e não matei ninguém. Afinal estávamos ali a feijões... Teve de ser e todos os que estavam no abastecimento nessa altura fizeram o mesmo.

Seguimos sempre a correr, ainda fizemos um pequenito desvio na parte final para voltar ao "trilho" e lá estavam a minha mãe e a minha irmã, que tinham ido à caminhada a aplaudir! Foi o melhor final ;)

Na meta o Nuno, a pedir desculpa pelos 7!!!km a mais... Ai rapaz, se o pessoal não estivesse tão cansado, tavas lixado!

E foi esta a história do malhão.
Prá semana há mais ;)



P.S. As fotos ficaram top, não acham? O rapaz tem jeito! ;)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Uma meia, ainda é uma meia...


E não um São Silvestrezinho com 10kms para esticar as pernas...

Bocas para quem fez a prova em estafetas (11+10, meninos!!! :P) à parte, já vos conto a minha primeira experiência em provas de estrada.

Quase em cima da hora, ainda convenci o A. a participar também na Meia Maratona da Ria Aveiro.
O S. ficou com os avós que, por muito que eu publicitasse o evento, não foram grande claque... :S
Só os vimos no fim, depois de uma chamada para os localizar e, claro está, que nem sequer ao pé da meta estavam, mas uns bons metros à frente (ainda não foi desta que tive oportunidade de passar a meta com o puto ao colo como nos filmes, enfim :P)

Pelas pouquíssimas informações disponibilizadas na página do FB e regulamento escrito às 3 pancadas percebi que a organização era pró simplex e assim se confirmou.

Quando chegamos havia mais massagistas que atletas. Se calhar fomos muito cedo... Mas na via das dúvidas, há que dar tempo para levantar kits, preparar o chip, empurrar um snickers e ir 3 vezes fazer xixi :D
Afinal tinha de aproveitar o WC limpo e livre, coisa rara as provas de trail. É só mulherio!

Na partida, ainda estavam umas 200/300 pessoas. Not bad!
Supostamente íamos ter uns corredores com balões de marca-tempo (voaram todos! ;) para nos guiar ao longo da prova. Ok, vamos lá ver se consigo ficar à frente do balão da 1:50h...

O percurso era quase todo conhecido por mim, e porreiro. Só estava com receio do calor. Mas como há vários pontos de água, tá-se bem. Ou não...

Achei eu que ía haver mais gente na rua a ver-nos passar mas ainda tavam a dormir para aproveitar o feriado. Gente inteligente. Os poucos que estavam a ver, só estavam mesmo a ver, bater umas palminhas para puxar pelo pessoal tá quieto! Eu tentei, juro :P


Ainda assim, gostei de passar mesmo no centro de Aveiro e ver mais malta a aplaudir. Foi o suficiente para me animar e continuar a acreditar que afinal as provas de estrada têm imenso público como eu imaginava.

Fui seguindo a bom ritmo e aos 7 kms juntei-me a um grupo de homens e lá fomos conversando na medida do possível que sempre ajuda a passar o tempo (esqueci-me do mp3 e uma miúda tem de se distrair com qualquer coisa :P)


À boleia do grupo onde ia (malta fixe que faz trails) lá fui mantendo o ritmo, tentando esquecer que já íamos com 10kms ao sol e sem água e ainda passei umas meninas.

No ponto de água, peguei na garrafa e segui a tentar beber enquanto corria, mas não dava grande jeito e nem me sentia bem com a garrafa na mão, atira pro chão e siga.

Lá continuamos nós a 5:00/km e o sol a começar a aquecer numa reta sem fim à vista. Mas até me ia a sentir bem.
Até que aos 16kms nem com meio gel (não havia água perto para empurrar o gel todo) consegui manter o ritmo do grupo e deixei-os ir.

Ainda consegui passar mais algumas mulheres (cá para mim eram todas das estafetas) mas bastou baixar um bocadinho o ritmo para ser passada por outras tantas... Uma delas F50 (damm!)


Nos últimos kms, pelo menos não faltou a água. Lá meti a outra metade do gel já a sonhar com os abastecimentos recheados dos trails e a chegada à meta abaixo da 1:50h.

E com um boost extra de energia pela companhia do A. nos últimos metros, missão cumprida! 1:48h! Iupiii!!


Primeira meia maratona feita com direito a estreia também em virilhas assadas, tão bom! Grrrr

Resta comentar os banhos, ou melhor, a lavagem de paredes do balneário da escola secundária...
Já apanhei balneários repletos, água gelada, pouca água, mas água em fio a escorrer pela parede foi a primeira vez.
Valeu não haver lama para tirar e uma garrafita de água emprestada que sempre dava para encher e dar a sensação de limpeza...

Há que poupar água que é bem escasso.

Meias maratonas, a repetir?
Esta, duvido. Outra, logo se vê!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Trail Bela Bela 2018




Num fim de semana super concorrido em provas de trail, apesar de termos curiosidade em conhecer o Zela Ultra Maratona, não podíamos deixar de ir à terceira edição do Trail Bela Bela aqui pertinho, em Belazaima do Chão (Águeda). Fico à espera que numa próxima edição, a data não coincida...

A zona de Belazaima tem tudo para trilhos fantásticos: montanha, água, rochas, (lama) e a organização conseguiu aproveitar todas as condições do terreno, melhoradas (ou com grau de dificuldade acrescido) pelo tempo dos últimos dias e fazer uma prova muito boa!

Apesar de já ter feito uns treinos por ali, sobretudo há uns 4/5 anitos quando me comecei a interessar pelo trail, e gostar e conhecer minimamente a zona, ainda não tinha tido oportunidade para participar no evento organizado pela equipa Bela Bela, que como o nome indica é dali mesmo, Belazaima.

Pra começar, como o A., optei cheia de força (not!) pela distância maior, 30km. Tudo ou nada! Desde que não ultrapasse os 40km penso sempre que me devo aguentar, nem que seja a rastejar...
Além desta distância, havia o trail de 16km, no qual participaram os restante elementos da equipa de trail à qual agora fazemos parte, a caminhada de 8km que ainda atraiu bastante pessoal.

Mas vamos lá ao meu relato da prova, tipo 42  :P

Uns dias antes, soube que bastava chegar ao fim para subir ao pódio. A questão era chegar. 30km e 1200+ de acumulado não é assim tão pouco e com os treinos super intensivos de 8/10km uma vez por semana não estava assim tão confiante. Mas, bora lá!

A partida dos 30 foi à hora certa, logo depois de um tiro de caçadeira ("estamos numa zona de caça" diz a speaker). Nos primeiros metros ia toda satisfeita por estar a acompanhar os homens que iam todos a gerir o esforço nos primeiros kms e ainda bem que assim fiz. Nunca mais vi a minha adversária SenF (afinal na partida já éramos só duas... :S).

Os primeiros kms foram bastante giros. Passamos por umas 10 vezes, as ribeiras pelo meio de florestas de carvalho, sempre em cima de pontes construídas propositadamente pela organização. Depois de provas como os Abutres e mesmo a de há duas semanas em que atravessamos o rio com água acima do joelho, não era algo a que estivesse habituada (e ainda bem que não me habituei que ainda tinha muito rio para correr! Mas já lá vamos...). Mas dou os parabéns à organização pelo cuidado e rigor na construção e garantias de segurança das pontes, algumas com rede no chão e tudo para não escorregar. Um luxo!  ;)

Antes do primeiro abastecimento, aos 6km, já ia em segundo lugar das mulheres, e primeiro SenF e assim me mantive até ao final.

Parei em todos os abastecimentos, mesmo neste logo ao início, para comer qualquer coisa e ainda usei um gel e uma barrita. Nada de repetir o erro de ficar com fome, parar para comer e ser passada por falta de energia.

Saindo do abastecimento, começou aos poucos a subida, passando primeiro por um túnel de uns 20 metros que apesar de cheio de água, estava espetacularmente bem iluminado com uma fita de led (mais uns pontos para a organização! ;) )
Do túnel, quase até ao abastecimento seguinte, continuavamos pelo riacho de pedras. Já lá tinha passado sem água. Como estava no domingo era bem mais giro, mas de progressão lenta.

Olhando para o gráfico, tinha a primeira subida a sério para fazer e ela não tardou em aparecer, começando com uma escalada super divertida pedregulhos acima, sempre com imensa água a escorrer montanha abaixo.
Gostei muito desta parte do percurso. Todas as subidas de montanha fossem assim. Mal damos pelo desnível positivo a acumular. Foi a cota parte de skyrunning do Bela Bela :P






Fotos do Zé

Novo abastecimento aos 12kms. Curta paragem que já tinha sido passada pelos primeiros dos 16kms e não me queria atrasar muito para poder fugir à chuva que se previa a valer a partir das 13h e siga a correr montanha abaixo. Sem medo, a gozar a aderência das sapatilhas novas e a tentar ganhar tempo.

Conhecia a zona que se seguia dos primeiros PR que fiz há quase um ano com o S. pequenito no marsúpio e tinha-me parecido pelo gráfico da altimetria que seria uma descida sem grandes invenções. Desta vez não me enganei...




A paisagem estava bastante diferente de Maio do ano passado, mais verde e com muito mais água. Aliás, água foi coisa que nunca faltou nesta prova, felizmente, só mesmo a chuva foi pouca. Seguimos por uma levada junto ao rio. Apanhei um rapaz que me tinha passado na subida anterior e fiz uns kms com companhia, para variar.
Ele deu uma queda pedras ao pé da água e logo uns metros depois também fiz questão de malhar no meio de uma rocha cheia de verdete para cima do meu braço direito. Fiquei com uma dor de cotovelo, mais siga, é vida! ;)

Entramos na aldeia para o abastecimento dos 20kms. Sentia-me bem, apesar de durida da queda, e tal como nos abastecimentos anteriores, parei para comer e fiz questão de me sentar uns segundos. Nunca mais tinha voltado a ver gente para trás por isso também não havia pressa. Voltamos a entrar no mato, atravessamos o rio algumas vezes (aqui já não havia pontes para ninguém) sempre à espera do início da derradeira subida, mas o trilho mandava-nos uma e outra vez para a água.

Até que a seguir a uma zona com inclinação mais acentuada e depois de uns pingos de chuva mais grossa, lá começou o maldito estradão em ziguezague montanha acima. Pelo menos não era em descampado como no Piódão. Tinha os eucaliptos para enganar e pensarmos que terminava já ali..
Ainda deu para uma selfie, depois de ter passado o meu companheiro dos últimos kms. :D


(Nota para mim: desistir de vez das selfies!)

Finalmente vejo a copa das árvores e o bendito marco geodésico. A subida tinha terminado! Ufa! Bota a correr por ali abaixo até ao abastecimento dos 25km. Olho mais uma vez para o dorsal, pelo gráfico depois são só 5kms praticamente sempre a descer, na boa. Tá no papo. Querias...

No abastecimento várias pessoas me dizem para ter cuidado. Que agora era perigoso... Mau, o que é que vem aí. Que se lixe, só faltam 5km mesmo!


(Cara de má... Devia tar ligeiramente frustrada)

Bastaram uns metros de corrida para ficar a saber. Seguia-se uma parede de rochas escarpadas aos S para descer, num piso cheio de poças de lama preta. As bicas de Aguadalte. "Ui, isto afinal vai demorar..."


(Como é óbvio não sou eu, mas ficam com uma ideia de onde passei ;)

Siga, monte abaixo a tentar correr o possível, mas com receio de nova queda, aqui bem mais perigosa.
Até que depois de um bocadinho de estradão em que já se via as casas lá em baixo, chego ao último posto de controlo, ao pé da água. Já fazia falta, não era?



Ora pois que o pessoal pensou em nós e não quis que chegássemos à meta com o pézinho sujo e toca de seguir rio abaixo durante uns talvez 500m. "Tá quase..."

Tirando a parte da água estar fria e já me estar a fazer doer as costas, tudo bem, nao caí e bastava pensar que já faltava mesmo pouco.


(Que pena não ter fotos desta parte, mas os fotógrafos não eram assim tão doidos :P)


Mais um bocado a correr, já a ouvir o microfone (como eu gosto de ouvir o barulho da meta mesmo sem a estar a ver!) e ainda consegui passar um grupinho da caminhada (deviam ser os últimos! :P).

E pumba, tá feito!


Melhor que o pódio, que em 5 mulheres não tem grande significado, foi chegar bem disposta, sem mazelas nem grandes dores. Nada a ver com a primeira deste ano...

Escrevi imenso, mas já agora reforço os parabéns à equipa do Bela Bela.
Fizeram um esforço enorme para organizar toda a logística das 3 distâncias, marcações sem repreensões, trilhos bem pensados, divertidos e desafiantes q.b., os abastecimentos bem distribuídos e com o suficiente, o almoço impecável e bem servido, os fotógrafos já nossos conhecidos (como as Fotos do Zé, Fotojotapê, o Carlos Coelho e outros) bem distribuídos por todo o percurso, inscrição a preço acessível para variar...

Diz que pro ano tenho direito a inscrição grátis. Se depender só de mim, já lá estou com ou sem essa oferta ;)

A seguir?
Ah pois, já estou a pensar na próxima.
A minha estreia em meia-maratona. A ver vamos ;)