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sábado, 8 de outubro de 2016

Cambalhotas, murros e pontapézinhos

(Antes que pensassem que ia escrever sobre alguma cena violenta, achei por bem, começar o título por "cambalhotas" e acabar com "pontapézinhos", parece-vos bem?)

Não pretendo transformar o meu blog num bloguinho de mamãs e bebés, azuis e cor de rosas e blá blá blá da treta, longe de mim!

Nem vai muito com a minha maneira de ser, mas há dias que tenho pensado escrever sobre isto e, neste momento, é mais forte que eu:

Como é sentir o bebé a mexer aqui dentro?

Antes de começar, confesso que, apesar de querer muito ser mãe e estar, naturalmente, feliz por estar grávida, dispensava todo este processo!

Detesto esperar.
E estes meses não são mais que isso, uma espera... Uma espera necessária, preparatória, em termos físicos e psicológicos, (já sei!), quer para o bebé, que precisa de crescer e se desenvolver, quer para a mãe. É o que sinto e o que andei para lá a escrever no primeiro capítulo da revisão bibliográfica da minha tese, segundo vários autores...
Contudo, é também uma espera stressante, com surpresas e sustos pelo caminho (surpresas, outra coisa que dispenso em absoluto :S) e desconfortos limitativos...

Só mais uma confissão...: esta semana dei por mim a sentir inveja de duas mamãs, uma porque correu meias maratonas até para aí as 30 semanas e outra porque estava a acabar de sair de uma aula de bodypump toda contente, já com 6 meses de gravidez, grrrr...
E eu de repouso forçado em casa... :S


Voltando ao tema dos pontapés :)


É giro, porque, todas as mamãs que conheço me falam neste pequeno pormenor da gravidez com um misto de alegria e saudade...
Agora que já vou sabendo como é, adoro a sensação! Esperei muito por ela e acho que até senti mais cedo que o normal para uma primeira gravidez por estar tão atenta a ver se percebia algum movimento do meu bebé ;)

Lembrei-me que seria engraçado escrever algumas coisas que me disseram acerca de como é a sensação, para quem já sentiu se recordar e quem nunca sentiu (ou nunca irá sentir por dentro - homens p.e. !) ficar com uma ideia...

Afinal, na minha opinião, apesar de serem descrições diferentes, todas fazem algum sentido ;)

A primeira vez que senti o meu bebé:

- A mais típica #1: "ao início fica-se na dúvida se é o bebé ou se são gazes" :P
- A mais típica #2: "parecem borboletas"
- Umas mais alternativas: "tipo um peixinho" e "tipo bolhinhas na barriga", "tipo bichos ou um formigueiro"
- A que apesar de ter sido dita num tom fofinho, me meteu impressão: "É tipo uma cobrinha a passar, muito ao de leve"
- E mais tarde, "mesmo uns toques" e "cada empurrão nas costelas!"

E a minha descrição qual é?

O melhor que posso dizer é que não dói, é uma sensação boa e única, que só as mamãs têm o privilégio de sentir.
Às vezes é estranho, parece que não dá só murros ou pontapés, mas que está a fazer piruetas e cambalhotas encarpadas para a frente e para trás. :P
Habitualmente, desconcentra-me do que estou a fazer ou dizer. Afinal o puto, quer a atenção toda para ele e eu percebo, está ali tão escondidinho... Tem de dar o ar de sua graça de vez em quando ;)

Também me revi nesta frase, apesar de ainda me faltar muito...  "acho que é mesmo a única coisa [da gravidez] que deixa saudades, mas depois de estarem cá fora é MUITO mais giro!"


Não adoro estar grávida!
Mas adoro sentir o meu bebé!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A atualizar o cv "like a boss"


Mas alguma vez eu podia deixar de mencionar isto no meu cv?!

(A parte de não correr há meses não interessa nada... eheh)


O que é que vos parece?...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

6


Eu escolhi-te.
Há um pouquito mais de 6 anos...



;)

Clarisse Falcão - Eu escolhi você

Eu escolhi você
Porque não tá tão fácil assim
De escolher
Têm muita gente ruim
E quando não é ruim
É porque não gosta de mim
Aí termina que no fim só têm você

Eu escolhi você
Porque não tinha tanta gente
Pra ser meu
Vê só que sorte você deu
Dos males o menor porque você é o melhor
O melhor o menos pior pra escolher

Na minha vida já existiram
Cinquenta opções de amor
Quarenta e nove desistiram
E você foi o que sobrou

Eu escolhi você
Com fé de não me arrepender de te escolher
Até um outro aparecer
Não fica triste não
Eu escolhi de coração
Também por falta de opção
Mas foi você

Na minha vida já existiram
Cinquenta opções de amor
Quarenta e nove desistiram
E você foi o que sobrou

Eu escolhi você
Porque não tá tão fácil assim
De escolher
Têm muita gente ruim
E quando não é ruim
É porque não gosta de mim
Aí termina que no fim só têm você

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Oficialmente uma teenager


Esta semana começou com um pequeno sobressalto, na terça de manhã, a Bina tinha fugido...
Apanhou o portão mal trancado e toca a fugir.

Saímos de casa numa correria: ele de carro, eu de bicicleta. Mas afinal não foi preciso correr muito para a encontrar, andei uns metros e lá vinha ela em direção a casa, toda molhada e sorridente com o seu novo amiguinho? namorado?   o Horácio!
(mais um cãozinho abandonado por aqui... em quase um ano, é o terceiro!... :(
decidimos que se devia chamar Horácio - aqui na terra há muitos :P - e assenta-lhe como uma luva! ;)

já partilhei com a Associação de Amigos dos Animais mais próxima, para ver se aparece alguém interessado em adotar)

Depois, pareceu-me que estava a ficar inchada, com aquela retenção de líquidos típica da TPM... ;)
Até que ontem se confirmaram as nossas suspeitas: começou o cio.
Sou mamã de uma adolescente, com a diferença de não terem passado 14 anos, mas sim 14 meses (ou nem isso ainda!)

(até ficou com uma expressão aborrecida :P)

Não é que nunca tivesse pensado no assunto, pelo contrário, logo que soube que ia ter uma cadela, lembrei-me que esta chatice viria a acontecer, mas agora lidar com a realidade é bem diferente...
Como além de lindíssima, tem uma personalidade espetacular e é de uma raça com uma esperança média de vida curta, passou-me pela cabeça deixá-la procriar uma vez e assim ficar com um bebézinho(zão!) dela, mas agora já não me parece boa opção. Há muitos cães no abrigo a precisar de mimo...
Não posso assumir a responsabilidade por uma ninhada enorme que ela teria de certeza. Dificilmente arranjaria interessados para ficar com todos os outros cães, para não falar das eventuais dificuldades/complicações relacionadas com a gravidez, o parto, a amamentação, a alimentação nestas fases mais delicadas e por aí em diante...

A decisão está tomada. Para o próximo mês resolvemos o assunto (que stress imaginá-la a ser operada!!! grrr)

Até lá, passa a andar de tanga dentro de casa (estranhou nos primeiros minutos, mas agora já parece que nasceu com ela :P), temos de restringir os passeios e vamos lá ver como se comportam os pretendentes aqui das redondezas nas próximas semanas. Uma miúda gira, alta e magra como ela deve ter muitos...
Medo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Cá estamos...

(A bradicardia é de menos de um batimento por mês, mas ainda há sinais de vida.)

Situação 1 (há umas semanas atrás)
Por volta das 7 e pouco da manhã a caminho do trabalho, ligo o rádio do carro.
Começo a ouvir rancho e penso "é sempre a mesma coisa, já se voltou a desprogramar".
Programo a estação e o rancho continua. Mudo para outra estação e ouço exatamente o mesmo rancho.
"Então mas o rádio avariou de vez? Como é possível duas frequências diferentes estarem a apanhar a mesma coisa?"
Mudo mais que uma vez de uma para a outra. As restantes estão normais, mas aquelas continuam avariadas.
Até que ouço uma voz pelo meio do rancho. É o Tino.

O rádio está bom, as eleições estão aí. ;)


Situação 2
Já é a terceira ou quarta vez que acontece vermos laranjas no nosso terraço. Os únicos que têm uma laranjeira são os vizinhos da esquerda (a nossa foi à vida por fúria canina) e o vento não tem estado assim tão forte para fazer saltar laranjas pelo muro. Deve ser o garoto que acha piada atirar à Bina.
A cadela acaba por não ligar nenhuma às laranjas e ficam por ali a estragar-se... Ainda não chamei à atenção à vizinha... Desta vez o A. pegou nelas e pô-las em fila em cima do muro para eles verem.
Cheguei ontem a casa e lá estavam novamente espalhadas no terraço.
Reclamar para quê? Não as querem?

Laranjas para sobremesa! :P

sábado, 20 de junho de 2015

3 meses depois...

Do nascimento do Little Johnny, e uma semana depois de ajudar a nascer o meu sobrinho mais novo (bem vindo pequeno M.!), partilho, finalmente, um bocadinho das nossas sessões fotográficas.

Já tinha fotografado um casamento, contando com a criatividade altíssima da noiva para a produção! ;)
Mas esta foi a primeira vez que me aventurei a fotografar um barrigão.
Experiências à Daniela... :P

Sim maninha S., o curso de fotografia ainda está à espera de alguma disponibilidade da minha parte. Não tem sido fácil coordenar tudo, mas há-de chegar a altura.

Até lá, deixo-vos um cheirinho das nossas Belly sessions...
(Em inglês fica muito mais fashion! ;)

Sem photshop e sem filtros.

Uma manhã na praia (38 sem).
Uma tarde no campo (39 sem).

















P.S.: Só para que fique registado: É hoje que nos mudamos para a casa nova!
Mais uma mudança de casa. 5 casas em 6 anos, boa média, não acham? :P


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Mudanças...

Numa altura em que nos preparamos para mais uma mudança de casa - a sexta vez para mim (credo!) e a segunda vez para ti - na qual contamos ficar por bem mais que dois anos (o meu recorde pessoal...:P).
Será a casa onde vamos ver a nossa cadelita e o nosso mini-jardim crescer.
E quem sabe, que mais mudanças de vida vamos assistir... Boas, espero!

Deixo-te/vos este vídeo, para reflectir...


Um bom fim de semana! ;)

sábado, 9 de maio de 2015

5

Penso que foi mais ou menos a esta hora, há cinco anos atrás...

Perdeste, de vez, o medo e passaste o braço por trás das minhas costas, começámos a caminhar de mãos dadas, sentámo-nos e demos o primeiro beijo.


Pensando em voz alta (ou escrevendo!), o nosso amor tem bastante em comum com o que está escrito na letra desta música, que sei que tu gostas tanto como eu ;)

Ed Sheeran - Thinking Out Loud


When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love
Will your eyes still smile from your cheeks

Darlin' I will be lovin' you
Till we're seventy
Baby my heart could still fall as hard
At twenty three

I'm thinkin' bout how
People fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you I am

So honey now
Take me into your lovin' arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Maybe we found love right where we are

When my hair's all but gone and my memory fades
And the crowds don't remember my name
When my hands don't play the strings the same way (mm)
I know you will still love me the same

Cause honey your soul
Could never grow old
It's evergreen
Baby your smile's forever in my mind and memory

I'm thinkin' bout how
People fall in love in mysterious ways
Maybe it's all part of a plan
I'll just keep on making the same mistakes
Hoping that you'll understand

That baby now (ooh)
Take me into your loving arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Maybe we found love right where we are

Baby now
Take me into your loving arms
Kiss me under the light of a thousand stars (oh darlin')
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud

Maybe we found love right where we are
Maybe we found love right where we are
And we found love right where we are


Já tínhamos 24 e o nosso coração batia bem depressa por esses dias...
Estávamos há anos ao lado um do outro, e misteriosamente, apaixonámo-nos...

Agora, só nos falta sabermos dançar como eles!  ;)

Amo-te muito!

E quero amar-te até bem depois dos 70, por isso, usa da tua paciência (que é bem maior que a minha, eu sei) e continua a aturar este meu mau feitio, que eu aturo a tua desarrumação, combinado?  :P

Venham mais cinco e mais cinco e mais cinco...


terça-feira, 28 de abril de 2015

A propósito da Neura...


Não encontrei a nova música do PZ, mas encontrei a "Tu és a minha gaja", que está fresquinha que nem uma alface e tem igual qualidade às anteriores, como "Cara de Chewbacca" ou "Passeio"... :P


Para melhor perceberem o porquê deste meu gosto alternativo, basta prestar atenção às frases espetaculares, como:

"tu és a minha gaja,
sem dúvida nenhuma (...)
limpinho, tu és a minha gaja (...)
Isso é que interessa,
ficar alapadinho contigo no sofá" 


Romântico, diria.  ;)


(Promessa eleitoral: Lá pa sexta, eu atualizo o blog... eheh)


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Se dúvidas houvesse...

Adoro o meu trabalho!

Hoje, além de enfermeira circulante no bloco operatório, fui fotógrafa, ao fazer uma sessão para registar os primeiros minutos de vida do bebé M. em contacto pele a pele com a mamã, durante a cesariana... ;)


Pena não vos poder mostrar o resultado, mas garanto que as fotos ficaram lindas.
A fotógrafa não era profissional, mas os modelos superaram as expectativas! ;)

Mais um passo a caminho do congresso da APEO.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

2.ª ida à praia do ano, desta vez em modo: manhã de domingo

A primeira vez que fui à praia em 2015 foi para dar uma corridinha.

Mas, porque a vida não são só corridas (essa ficou para hoje, que já andava a ressacar ;) ) e bicicletas, ontem de manhã, fui à passear à praia para aproveitar o domingo, descontraidamente, com a máquina fotográfica a tiracolo, a aproveitar o sol e dar tempo para recuperar da tosse...
Não é meu, é certo, mas nem o cão me faltou ;)

Estava mesmo a precisar de apanhar ar, quebrar a rotina casa-trabalho-casa e trocar dois dedos de conversa...

O Offshore está recuperado e bem giro.
Até o Yaki adorou o passeio! Olhem só para ele todo feliz ;)









Venham mais domingos solarengos e bons como este!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

V Trilhos dos Abutres (27k) - Frio, lama, chuva, lama, granizo, lama, vento, lama, paisagens incríveis, trilhos fantásticos, mais umas amizades no trilho e mais uma chegada ao fim!

Pois, o título ficou muito comprido, eu sei...
A culpa foi da lama, retiro da minha pessoa qualquer responsabilidade. E assim também se vão preparando para o meu maior post de sempre.


Se estás já cansado de ouvir falar ou ler sobre os Abutres de certeza que é porque não participaste na prova, sugiro que não continues a ler o que se segue.
Eu sei que já passou quase uma semana do acontecimento, mas só ontem tive acesso à amostra de uma foto numa zona mítica do percurso e fazia questão de ilustrar este post com ela.
Além disso, o meu sistema imunitário, afinal, não é assim tão poderoso e, esta semana, tive direito a relembrar o que é estar com 38,5º C de temperatura e a definhar no sofá, depois de mais uma noite de serviço daquelas...


Mas bem, bora lá contar-vos como foi a minha experiência "abútrica".
Estão preparados?!?


Na noite anterior, para não falhar à tradição, não consegui dormir nadinha de jeito. O A. uma vez mais, vomitou a meio da noite (as desculpas que ele arranja sempre para falhar às provas de trail running :P), depois, também eu fui tratar de ir mais leve para a prova (o meu sistema nervoso é um querido!).
Lá fora, continuava a chover a potes.

De manhãzinha, toca a despachar para ir ter com os outros 2 resistentes da nossa equipa. De 12 inscritos, apenas sobraram 3 malucos que insistiram viver o V Trilhos dos Abutres: um homem e duas mulheres.
Esqueci-me que era dia de feira e fui pelo percurso mais chato para ir ter com eles. Ir por lá, fez-me ver que o rio já tinha ultrapassado, e bem, as margens. Os campos estavam completamente alagados, como ainda não tinha acontecido este ano. E no meu pensamento "Ok... Mas não é isto que me vai fazer desistir!"

Siga caminho e sem grande chuva, mas sempre com nuvens negras a pairar em cima das montanhas que iríamos trepar. Soubemos que a prova da ultra tinha sido adiada umas horas, a organização tinha ponderado cancelar/adiar o evento, mas optaram por alterar alguns percursos e esperar que as águas da chuva intensa da noite, escorressem montes abaixo e aliviassem os trilhos...

Em Miranda do Corvo estava bem fresquinho e ora fazia sol, ora desatava a chover como nunca...
Às 10h começou a Ultra (50k). Lá foram eles todos contentes. Começaram com sol.
A nossa prova ficaria para as 10h30. Stresszinho a aumentar com a aproximação da hora. Só pedíamos que não chovesse no arranque, para podermos aquecer um bocadinho. Com o atraso, tínhamos também receio de já chegar ao fim da tarde, com pouca luz natural, o que, sem frontal (aquelas luzinhas que se põem na testa p.e.) seria bem mais complicado...


10h40 arrancámos. Eu e a A.L. mantivemo-nos juntas, apesar de eu achar que ela corre mais que eu. Sabíamos que os trilhos iam ser muito duros (até perigosos) e era importante ter alguém conhecido por perto em caso de necessidade.
Nem 1km fizemos e começou a chover. Os trilhos estavam cheios de lama, mole onde enterrávamos as sapatilhas, que pareciam querer sair dos pés, ou então, de pequenos riachos castanhos que não nos deixavam ver o que estava por baixo, fossem pedras escorregadias, paus ou mais lama...

O pessoal que ia por perto estava super animado e nós também. Dizíamos piadas, ríamo-nos dos que escorregavam na lama (e dávamos uma mãozinha se fosse preciso, claro!), sorríamos para as câmarazitas de filmar dos outros participantes. Um deles andava, 
de cada vez que passávamos por uma zona mais escorregadia, tentava, a todo o custo, apanhar quedas aparatosas no vídeo...  :P

Primeiro desafio:

Saltar um riacho de água por baixo de um viaduto, com mais ou menos 1m de largura. Safei-me bem. E afinal este nem era bem um desafio, como percebi pelo que se seguiu... Mas deu logo para ficar molhada até aos joelhos...
Bem pior que eu, pessoal que vi nas fotos a atirarem-se completamente à água, só para passaram mais depressa... Diria, pouco inteligentes...


Tipo isto:
(dafuq?!)

Continuámos o nosso caminho e, durante um bocadinho, deu para correr, esticar as pernas e aquecer (dentro do possível...).
Começamos a andar a par do rio e de pequenas quedas de água. Decidi calçar as minhas luvinhas novas (tê-las levado foi o que me safou, mais à frente... sem dúvida, foram a minha melhor aquisição de equipamento de trail até hoje) sempre que fosse preciso agarrar-me a alguma coisa ou trepar.
Apanhámos a primeira descida cheia de lama e sem vegetação a onde nos pudessemos agarrar. A A.L. ía à minha frente com medo de escorregar. Até que eu experimentei baixar-me, juntar os pés e escorregar por ali abaixo com a ajuda das mãos. Tipo "sku", mas sem pousar o rabo no chão, estão a ver? Resultou. E a partir daí não quis outra coisa. ;)


Sempre que possível tentávamos correr, mas era difícil, pela lama, a inclinação e a quantidade de gente que, nesta fase, ainda ia à nossa frente. Entretanto, pude adorar a paisagem, ver a água a correr furiosamente riachos abaixo, mesmo ao nosso lado.

Desafios seguintes:

Descemos por um "mini-precipício", agarrados a uma corda (benditas luvas!) que acabava antes do final da descida... E, mais uma vez, tive de recorrer à "minha" técnica maravilha de sku. Teria sido exemplar, não tivesse eu afastado a perna esquerda a escorregar, o que fez com que eu ficasse com um tronco entre as pernas... Valeu por mais um momento de risada graças à posição parva em que fiquei. :P
Trepámos uma parede de lama imensa em que tínhamos que encontrar socalcos mais ou menos firmes para subir. A A.L. começou a ficar para trás e a queixar-se de dores nas costas...
Começámos a subir a montanha e o granizo a atacar-nos com força. Só imaginávamos apanhar neve lá em cima...
Pior que a parede de lama, tivemos que trepar um muro de pedras, mais alto que eu, que se tinha transformado numa pequena queda de água...

Passamos por várias pontes rústicas de madeira. Uma delas mesmo em frente a uma cascata que, nesse dia, graças à chuva, estava gigante. A força da água era tanta que sentíamos as gotas do vapor de água na cara. Um cenário simplesmente magnífico! Lindo, lindo!
Lembro-me de pensar "isto sim, são os Abutres..."
(Tenho pena que a amostra não faça jus ao que vimos...)



(ali vou eu! ;)

A subida da montanha foi-se fazendo nas calmas. Subíamos agarrados a cordas, correntes, de gatas, como calhava! Apesar do frio e da chuva que nos ia dando algumas tréguas, sentia-me bem. Não estava ainda muito cansada e fui incentivando a A.L. a continuar e a ir bebendo água aos poucos. Tínhamos que chegar, pelo menos, ao Posto de Abastecimento dos 17km que sabíamos ser já a descer. Ela que é uma força da natureza, estava de rastos, com dores "nos rins" e as mãos a inchar... :S

Cheguei ao ponto mais alto e percebi que a A.L. estava um pouco mais para trás. Lá em cima estava um vento gélido. As minhas luvas, mesmo meio molhadas e cheias de lama, conseguiam manter as minhas mãos quentes, graças à capinha para as pontas dos dedos. Para não arrefecer, decidi continuar ao meu ritmo e esperar por ela no abastecimento.

Na descida, surgiu mais um desafio:
O trilho tinha-se transformado em linha de água. A água corria sem parar por ali abaixo e eram raros os sítios onde nos conseguíamos desviar um pouco do seu trajeto.
Siga água abaixo e não reclama! :P
De facto, era mais fácil descer por onde havia água, porque o solo era mais firme que nas margens cheias de lama. Sempre com cuidado, para não dar um malho em sítios com pedras e a usar a "minha" técnica nas descidas lamacentas.

Até que, já a ver um estradão e dois marmanjos da organização ali parados a ver-nos passar, enquanto grelhavam umas febras (nem senti fome com o cheiro, só me apeteceu aquecer aos mãos nas brasas...), existia um lago lamacento enorme...
Vai a D. cheia de confiança, à frente de uns poucos de gajos (ainda por cima! Burra de não os ter deixado passar primeiro para ver o melhor caminho...), segue em direção ao lago e, já dentro dele, com água pelos joelhos, sente o pé esquerdo a escorregar (outra vez o esquerdo!)...
Conclusão: água gelada até à cintura! ;)  Só não mergulhei, porque fiquei segura num tronco que estava debaixo de água (ufa!).
Mando uns berros. Os meus companheiros de luta ajudam-me a sair da água e perguntam-me se estou bem, se me magoei. "Não, estou bem. É a água!...". Eles "tá fria?!". Eu "Nãaaaaoo, tá booooaaaa!" :P

Toca a correr dali para fora, para tentar aquecer. O abastecimento dos 17km estava a uns metros... Gondramaz, uma pequena aldeia no meio do nada, mesmo muito gira. Hei-de lá voltar.
Parei. Neste abastecimento, como nos outros todos. Coisa que não costumo sentir necessidade nas provas, mas nos Abutres era crucial. Além disso, queria ver como estava a A.L.
Esperei um pouco, comi uns deliciosos bocados de laranja, banana e uns quadradinhos de marmelada. A minha colega de equipa tardava em aparecer e eu estava a ficar gelada...


Decidi continuar. Não sem antes pedir a umas pessoas que estavam ali a assistir para a avisarem que eu tive de continuar para não arrefecer mais.
Logo a seguir, vi o J.P. (que bom ver uma cara conhecida!), marido da A.L. Estava a ver se nós passávamos. Pedi-lhe que voltasse para trás e fosse ao encontro dela. A minha colega optou por desistir neste ponto da prova.

E eu segui sozinha. Faltavam 10km, não haviam de custar mais que os que já tinha feito...
(E vocês, se aguentaram até agora, deixem-se estar. Afinal só faltam 10km de descrição. O pior já passou... ;)

Ouvi dois corredores que iam perto de mim a queixarem-se do frio nas mãos. Comecei a mandar bocas na brincadeira "eu vou aqui com as minhas mãos quentinhas!" "estas luvas são um espetáculo! A melhor compra de sempre...". Eles entraram na brincadeira e começaram a conversar comigo. Soube de onde eram. Afinal eles conheciam provas onde eu já tinha participado e outras que foram realizadas na minha terra. E eu conhecia uma prova organizada pela equipa de um deles ;)

Seguimos por trilhos e levadas, fizemos uma pequena parte de um percurso pedestre, passámos o rio de um lado para o outro, em cima das pontezinhas de troncos, mais umas poucas vezes. Nesta zona, passaram por nós os dois primeiros classificados da Ultra, em altas velocidades, como se nada fosse (como se não levassem, pelo menos, mais 25km que nós nas pernas...).
Na altura, nem cheguei a saber o nome dos meus novos companheiros de luta... Mas, até ao último abastecimento a 5km do final, continuámos juntos, na galhofa, como se nos conhecessemos há mais tempo... Como não podia falhar, veio à baila o tema TopMáquina e respetivas Teorias-Top-do-Trail, o facto de eu ser enfermeira e, alegadamente, ter andado a meter-prá-veia e outros assuntos nessa linha... ;D ;D
Uma risada, que nos manteve bem dispostos e distraídos por um bom bocado, esquecendo um pouco as dificuldades vividas e o que ainda estava para vir até à meta...


No último abastecimento antes do fim. A A.L. e o J.P. estavam à minha espera. Incentivaram-me a continuar. A não perder muito tempo porque era uma das 10 ou 12 primeiras.
Nem sei o que me deu, até ali não tinha pensado na classificação, nunca foi o meu objetivo primário. Mas, na altura, meti na cabeça que tinha de me manter nas 10 primeiras classificadas. Afinal, não me lembrava de ser passada por nenhuma mulher pelo meio da prova, eu é que fui passando... "São só mais 5km? Ok, vamos lá!"

E, para terminar, segui outra vez sozinha.
Eram só 5km, de facto, mas não eram 5km de corrida. Destes, 3 ou mais eram de lama, pura. Mole e falsa como a que tínhamos apanhado no início... Fui andando, como pude. Ainda tive oportunidade de fazer uma pose parola para um fotógrafo que estava a seguir a um lago de lama à espera de apanhar um qualquer descuidado que lá se enfiasse... :P

Custou-me muuuiiito esta parte. Só me imaginava a perder ali o chip ou uma sapatilha e ficar ali que tempos, sozinha, à procura... Demorei imenso tempo aqui e fui passada por uma data de gente.


Acabou, finalmente, a lama e começou a corrida em plano, estrada, até chegar quase à meta. Seria um bom sprint final, não tivesse eu meio quilo de areia nas sapatilhas e mais de 20km impossíveis nas pernas. Mesmo assim, nesta fase, passei uns 3 corredores (homens, à pois é!... ;)



(a areia por baixo da sola das minhas sapatilhas. Litros e litros de água limpa depois, que os meus pais lhe passaram, para tentar tirar a lama...)

E, só para acabar em beleza, uma rampa até ao pavilhão da meta, super inclinada, escorregadia e cheia de lama... Foi o único sítio do percurso onde fui incapaz de me rir para a foto. Ainda por cima, logo aqui, fui ultrapassada por uma mulher... :S

Chego ao cimo dessa rampinha. Expiro com força, espero 2 ou 3 segundos e arranco a correr para os últimos 200m até à meta.

E já está! Aquela sensação incrível de dever cumprido! Objetivos superados!
Consegui chegar ao fim... ;)  Braços no ar, um sorriso na cara.


Comer qualquer coisa, debater-me para tirar o chip dos atacadores da sapatilha e dar um abraço os meus companheiros de luta e novos amigos do mundo trail ;)

V Trilhos dos Abutres (27K): 12.º lugar Fem., 9.º lugar Sen F (o meu escalão), 4h49. Feito. ;)
Para mim, a prova de trail running mais dura mas mais bonita de sempre!












Podem ler aqui um excelente relato de quem viveu a experiência do Ultra Abutres.

Se ainda tiverem coragem, para melhor perceberem aquilo porque passámos, deixo-vos o link de um vídeo (onde eu apareço! uhu :P).
Alerto apenas para a edição "meio-esquizo" do vídeo. Os mais sensíveis podem ficar enjoados ou a convulsivar ao fim de uns minutos... Eheheh


Fotos minhas durante a prova?
Simplesmente impossível. Para além de não ter levado nenhum aparelho à prova de água e lama, precisei das minhas duas mãos livres em todo o percurso e muito admiro quem conseguiu fazer vídeos como este...


Deixem-se de tretas, o vídeo tem 20 min e meio, ok. Eu estive lá quase 5 horas... Custa-vos assim tanto?!
Ok, façam como entenderem... :P



Pronto, já acabei.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sim, fui eu...

Querida maninha, sim, fui eu a culpada.
Fui eu que raptei o Joãozinho, o esqueleto-perneta e o crânio-sem-mandíbula. Os fins justificaram os meios.

Também fui eu quem recebeu o correio e evitou que tivesses que ir à estação buscar a tua encomenda.

Aqui estão eles, sãos e salvos:


Agora, pervertendo a linha de pensamento deste post e diminuindo, drasticamente, o rigor científico do motivo que me levou a ir a casa dos meus pais buscar estes três companheiros, reparem só na maravilha de tatuagens que o crânio-sem-mandíbula tem na sua careca:




De rir... :P

E é assim que se encontram, passados 20 anos, os modelos da coleção "Era uma vez o corpo humano..."

Agora, vou mas é despachar-me a fazer o que tenho a fazer, que a minha vida não é isto ;)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!!!

Cheio de amor e muitas coisinhas boas!
A todos os que por aqui passam.
São os meus votos e os da Chiquinha ;)

Modelo difícil, ela...
Isto foi o melhor que se conseguiu :P




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Carnaval fora d'horas

Olá pessoal!
Tá tudo de férias?...
Aproveitem, que as minhas já acabaram.


Está mais que na altura de atualizar este meu cantinho (e retomar o trabalho...)
Já foi em Julho este dia de Carnaval ;)