Mostrar mensagens com a etiqueta portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta portugal. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de abril de 2019

Zela SkyRace 2019 ou Trail do Pedregulho e do Granizo nas trombas

Saímos de casa com a chuvinha a cair com vontade. Passámos por uma zona com neve na estrada e o granizo a bater no vidro praticamente todo o caminho na autoestrada...
"Tá bonito" pensei.
E o A. também...

Já em Vouzela a chuva parecia começar a dar tréguas quando fomos levantar os dorsais, mas logo continuou... Ainda assistimos à partida dos 42k e a imaginar o que já não tinham passado os dos 63k desde as 7 da manhã...
O A. queria desistir. Estivemos um bocado no carro a pensar no que fazer (nota: para a próxima voltar a chegar em cima da hora!).
Também ponderei desistir mas...
"O pá vamos lá! "

Já tínhamos faltado no ano passado. Íamos perder a oportunidade, estando ali? Siga e logo se vê!

Num instante fomos para a zona da partida e começa a abrir o sol. O que é certo foi que arrancamos com sol e assim se manteve por uma hora.

As pernas não acharam muita piada ao arranque a frio. Estavam pesadas e não respondiam à minha vontade de manter o trote nas subidas.
Aos poucos lá me fui sentido melhor.
Depois da primeira escalada de pedregulhos de granito comecei a correr.

A organização apelava à nossa criatividade. As fitas estavam espalhadas pelas encostas de pedras com distância suficiente para cada um decidir qual o melhor caminho. Diria que, às vezes até estavam afastadas de mais nas zonas de escalada. Ou eu andava ceguinha! :P
Mas não me perdi. A velocidade a que fiz a prova não o permitia ;)

Adorei o percurso, com um sobe e desce de parte pernas, maioritariamente em zonas repletas de pedregulhos para escalar ou descer, como manda a paisagem da Serra do Caramulo e algumas passagens pelo rio, a saltar de pedra em pedra.


Os vestígios do fogo de há mais de dois anos ainda lá estão. Por várias vezes fiquei com as mãos todas pretas por me apoiar nos troncos queimados, mas a vegetação baixa já estava verde e crescida para colorir a paisagem.

Menos agradável foi estar no cimo do monte a levar chapadas de granizo de lado na cara e a ver os relâmpagos a cair a curtos metros de distância...
Foi o que me fez despachar para sair dali o mais rapidamente possível e ainda passei uns atletas dos 42k antes da divisão (!)

Desde aí vim acompanhada por um sr que afinal é quase meu vizinho e que já tinha conhecido no Trail da Lousã. À conversa e com alguém a puxar por nós, custa menos ;)

A parte final foi bastante rolante e lá consegui acabar às 12:30, objetivo que tracei mais perto do final.

E à chegada a surpresa de ter feito 5º lugar Fem! (4º SenF)
Not bad... ;)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Fomos ali ver os dinossauros e já viemos!


Ontem foi dia de fazer uma pausa nos poucos treinos e ir com a famelga até à Lourinhã ver o novo parque dos dinossauros.

Há 2 anos visitamos o Museu da Lourinhã e desde que ouvimos falar na inauguração do Dino Parque (fez em Fevereiro um ano) que tínhamos vontade de levar lá os miúdos.



O Simão não é grande adepto de dinossauros, prefere carrinhos e afins (o tema óbvio do 2.º aniversário), mas pareceu-nos entusiasmado com a ideia.




Afinal, adorou!
Ele e os outros primos todos ;)
Primeiro guardou respeitinho pelos bichos que eles são grandes, mas lá perdeu o medo, fez-lhes festas, fartou-se de correr, imitar os dinossauros, e só mesmo no final se mostrou mais cansadito, mesmo com a visita a calhar na hora habitual da sesta.











É um bom programa familiar.
Preparem-se é para pelo menos umas 3 horas de visita, com tempo para as pausas em todos os pequenos parques espalhados pelos circuitos e as atividades 
para miúdos de  diferentes idades no final.







Foi tão divertido, que até me deu vontade de vir aqui escrever.
A ver volto daqui a uns dias para contar como correu o meu passeio pelo Zela... :P



quarta-feira, 30 de março de 2016

Álvaro, Monsanto e Belmonte

No início do mês aproveitamos uma das minhas prendas de Natal e fomos numa escapadinha ao interior.
Apesar da ameaça constante de chuva, saímos de Oleiros e fomos conhecer Álvaro, uma Aldeia de Xisto branca, semeada na encosta, onde se vêm os meandros do Zêzere.





A ideia era seguir para a Covilhã e ver a neve na Serra, mas optámos por fazer um desvio a Monsanto, a Aldeia mais Portuguesa de Portugal.
Almoçámos, subimos ao castelo onde fomos recebidos por uma gatinha branca e admiramos a vista.











Ouvimos na rádio que havia estradas cortadas na Serra por causa da tempestade (nesta foto ainda se vê um bocadinho de neve...). Acabamos por rumar a Belmonte.
Estava um frio de rachar, sempre que o sol se escondia e por causa do vento. Por isso foi uma visita bem curtinha.




Na verdade tivemos sorte, porque mal saímos de uma terra, começava lá a chover, mas ficámos com vontade de voltar a estas bandas, com uma temperatura mais amena...
Eu, para fazer umas caminhadas pelos PR (com a Bina, claro!), o A. para fazer a GR de bicicleta.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Mais uma manhã de domingo passada nos trilhos - Paleozóico 2015

Quem passou pelo instagram, ontem de manhã, deve ter visto como estavam lindas e limpinhas as minhas sapatilhas novas, enquanto fazia tempo para o arranque da prova.
Pois estavam... e assim ficaram no final...

(a qualidade da focagem é péssima, eu sei.
Digamos que a culpa foi da objetiva que o A. escolheu para usar. Não me entendo com ela :P)


Resumo dos Trilhos do Paleozóico (24k):
(que já vos dei seca com o Trilho dos Abutres há um mês e pouco atrás)

Desta vez a maior dificuldade não foi lidar com a lama, a chuva ou o granizo. Lama havia pouca e, felizmente, esteve um dia lindo, só escusava ter queimado a cara com o sol (o protetor solar não foi suficiente... :S)

Ontem, a minha maior dificuldade foi gerir o esforço, de maneira a não estragar mais aquilo que já não estava lá muito famoso... A inflamação da banda ileotibial esquerda, vulgo, tendão do lado de fora do joelho, que fica inflamado e dói quando se dobra o joelho, principalmente, nas descidas.

Isso e fazer a prova sem companhia. Desta vez não fiz "amigos" como me é costume. Só troquei umas palavritas com uma ou outra pessoa e ofereci-me para tirar uma foto a um casal. ;)

Mas bem, fui avançando, mais ou menos ao meu ritmo normal e, à medida que os kms passavam, decidi continuar e fazer a prova até ao fim.
Apenas uma pequena observação à organização ou a quem pensa fazer esta prova: é mesmo importante levarem alimentos e água convosco. Em 24km só um abastecimento de sólidos (não contando com o da meta) e 2 de líquidos, soube a pouco...

Não conhecia aquelas paisagens, daí a minha vontade de conhecer os trilhos do paleozóico. Gostei do bocado ao pé do rio. De estarmos a subir/descer os montes e ver os outros corredores/caminhantes pequeninos e coloridos, no monte ao lado. Da passagem pela pedreira e do seu lago azul ciano. De um parque ao pé do rio, onde os escuteiros se andavam a divertir de canoa, de ver o pessoal a fazer escalada num pedregulho ali perto. E de ver a cidade do Porto e o mar, ali tão perto, de uma perspectiva completamente nova, no cimo do monte, depois da maior subida de todas.

E assim continuei, até me começar a doer a porcaria do joelho ao km 18. Altura em que faltava a última e enorme subida e, bem pior, a descida correspondente até à meta. Mas não ia desistir naquele momento. Faltava tão pouco...
Continuei por ali abaixo, com várias paragens para alongar a perna e a correr, sempre que conseguia.


À chegada a Valongo, fiquei mais animada e comecei a correr nos planos. A menos de 1km do final vi um dos meus amigos dos Trilhos dos Abutres. Fiquei toda contente por, finalmente, ver uma cara conhecida e isso motivou-me a continuar a correr, sem parar, até à meta.

Até me deu vontade de chorar de alegria quando vi a meta e o A. à minha espera para as fotos da chegada. Mas lá me consegui controlar :P

O lugar em que fiquei? Não sei e não me interessa para nada.


Prova superada! ;)

sábado, 7 de março de 2015

A cultura das sombras...

Não tinha quaisquer intenções de falar sobre este assunto. Não li estes livros (a minha fase de ler livros tipo "Diário de uma ninfomaníaca" passou-se no final da adolescência e ficou por lá) e, ai de mim se me obrigam a ver o filme... Mas não podia deixar de comentar isto:

Então não é que em Carrazeda de Ansiães o município decidiu pagar uma sessão de cinema a cerca de 200 pessoas para ver as 50 Sombras de Grey (e assim se gastam 400 euros do orçamento municipal!) com o objectivo de promover a cultura e evitar que as pessoas tenham de sair da cidade para ver este filme?

Cultura, caros autarcas? Que cultura? A do sexo sadomasoquista? Ou a suposta modernização parola do interior transmontano?


Façam-me mudar de ideias, mas respostas como a da senhora no final do filme "não gostei daquela crueldade, a bater-lhe..." ou das raparigas que acharam o filme chocante, só vêm reforçar aquilo que penso sobre este assunto. Sinceramente, ao ver esta "notícia" e ouvir falar tanto do filme no mês passado, acaba por me surgir sempre este pensamento: há por aí muita gente com problemas, muita mesmo...

Afinal, sadomasoquistas somos nós todos um pouco. Nós, os portugueses, que continuamos a nos esforçar por trabalhar e viver neste lindo país à beira-mar plantado, de políticos que não são "perfeitos" e não lá muito promotor da cultura... :S

Enfim.



Prometo que amanhã abordo um tema bem mais suave e menos polémico.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

2.ª ida à praia do ano, desta vez em modo: manhã de domingo

A primeira vez que fui à praia em 2015 foi para dar uma corridinha.

Mas, porque a vida não são só corridas (essa ficou para hoje, que já andava a ressacar ;) ) e bicicletas, ontem de manhã, fui à passear à praia para aproveitar o domingo, descontraidamente, com a máquina fotográfica a tiracolo, a aproveitar o sol e dar tempo para recuperar da tosse...
Não é meu, é certo, mas nem o cão me faltou ;)

Estava mesmo a precisar de apanhar ar, quebrar a rotina casa-trabalho-casa e trocar dois dedos de conversa...

O Offshore está recuperado e bem giro.
Até o Yaki adorou o passeio! Olhem só para ele todo feliz ;)









Venham mais domingos solarengos e bons como este!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

V Trilhos dos Abutres (27k) - Frio, lama, chuva, lama, granizo, lama, vento, lama, paisagens incríveis, trilhos fantásticos, mais umas amizades no trilho e mais uma chegada ao fim!

Pois, o título ficou muito comprido, eu sei...
A culpa foi da lama, retiro da minha pessoa qualquer responsabilidade. E assim também se vão preparando para o meu maior post de sempre.


Se estás já cansado de ouvir falar ou ler sobre os Abutres de certeza que é porque não participaste na prova, sugiro que não continues a ler o que se segue.
Eu sei que já passou quase uma semana do acontecimento, mas só ontem tive acesso à amostra de uma foto numa zona mítica do percurso e fazia questão de ilustrar este post com ela.
Além disso, o meu sistema imunitário, afinal, não é assim tão poderoso e, esta semana, tive direito a relembrar o que é estar com 38,5º C de temperatura e a definhar no sofá, depois de mais uma noite de serviço daquelas...


Mas bem, bora lá contar-vos como foi a minha experiência "abútrica".
Estão preparados?!?


Na noite anterior, para não falhar à tradição, não consegui dormir nadinha de jeito. O A. uma vez mais, vomitou a meio da noite (as desculpas que ele arranja sempre para falhar às provas de trail running :P), depois, também eu fui tratar de ir mais leve para a prova (o meu sistema nervoso é um querido!).
Lá fora, continuava a chover a potes.

De manhãzinha, toca a despachar para ir ter com os outros 2 resistentes da nossa equipa. De 12 inscritos, apenas sobraram 3 malucos que insistiram viver o V Trilhos dos Abutres: um homem e duas mulheres.
Esqueci-me que era dia de feira e fui pelo percurso mais chato para ir ter com eles. Ir por lá, fez-me ver que o rio já tinha ultrapassado, e bem, as margens. Os campos estavam completamente alagados, como ainda não tinha acontecido este ano. E no meu pensamento "Ok... Mas não é isto que me vai fazer desistir!"

Siga caminho e sem grande chuva, mas sempre com nuvens negras a pairar em cima das montanhas que iríamos trepar. Soubemos que a prova da ultra tinha sido adiada umas horas, a organização tinha ponderado cancelar/adiar o evento, mas optaram por alterar alguns percursos e esperar que as águas da chuva intensa da noite, escorressem montes abaixo e aliviassem os trilhos...

Em Miranda do Corvo estava bem fresquinho e ora fazia sol, ora desatava a chover como nunca...
Às 10h começou a Ultra (50k). Lá foram eles todos contentes. Começaram com sol.
A nossa prova ficaria para as 10h30. Stresszinho a aumentar com a aproximação da hora. Só pedíamos que não chovesse no arranque, para podermos aquecer um bocadinho. Com o atraso, tínhamos também receio de já chegar ao fim da tarde, com pouca luz natural, o que, sem frontal (aquelas luzinhas que se põem na testa p.e.) seria bem mais complicado...


10h40 arrancámos. Eu e a A.L. mantivemo-nos juntas, apesar de eu achar que ela corre mais que eu. Sabíamos que os trilhos iam ser muito duros (até perigosos) e era importante ter alguém conhecido por perto em caso de necessidade.
Nem 1km fizemos e começou a chover. Os trilhos estavam cheios de lama, mole onde enterrávamos as sapatilhas, que pareciam querer sair dos pés, ou então, de pequenos riachos castanhos que não nos deixavam ver o que estava por baixo, fossem pedras escorregadias, paus ou mais lama...

O pessoal que ia por perto estava super animado e nós também. Dizíamos piadas, ríamo-nos dos que escorregavam na lama (e dávamos uma mãozinha se fosse preciso, claro!), sorríamos para as câmarazitas de filmar dos outros participantes. Um deles andava, 
de cada vez que passávamos por uma zona mais escorregadia, tentava, a todo o custo, apanhar quedas aparatosas no vídeo...  :P

Primeiro desafio:

Saltar um riacho de água por baixo de um viaduto, com mais ou menos 1m de largura. Safei-me bem. E afinal este nem era bem um desafio, como percebi pelo que se seguiu... Mas deu logo para ficar molhada até aos joelhos...
Bem pior que eu, pessoal que vi nas fotos a atirarem-se completamente à água, só para passaram mais depressa... Diria, pouco inteligentes...


Tipo isto:
(dafuq?!)

Continuámos o nosso caminho e, durante um bocadinho, deu para correr, esticar as pernas e aquecer (dentro do possível...).
Começamos a andar a par do rio e de pequenas quedas de água. Decidi calçar as minhas luvinhas novas (tê-las levado foi o que me safou, mais à frente... sem dúvida, foram a minha melhor aquisição de equipamento de trail até hoje) sempre que fosse preciso agarrar-me a alguma coisa ou trepar.
Apanhámos a primeira descida cheia de lama e sem vegetação a onde nos pudessemos agarrar. A A.L. ía à minha frente com medo de escorregar. Até que eu experimentei baixar-me, juntar os pés e escorregar por ali abaixo com a ajuda das mãos. Tipo "sku", mas sem pousar o rabo no chão, estão a ver? Resultou. E a partir daí não quis outra coisa. ;)


Sempre que possível tentávamos correr, mas era difícil, pela lama, a inclinação e a quantidade de gente que, nesta fase, ainda ia à nossa frente. Entretanto, pude adorar a paisagem, ver a água a correr furiosamente riachos abaixo, mesmo ao nosso lado.

Desafios seguintes:

Descemos por um "mini-precipício", agarrados a uma corda (benditas luvas!) que acabava antes do final da descida... E, mais uma vez, tive de recorrer à "minha" técnica maravilha de sku. Teria sido exemplar, não tivesse eu afastado a perna esquerda a escorregar, o que fez com que eu ficasse com um tronco entre as pernas... Valeu por mais um momento de risada graças à posição parva em que fiquei. :P
Trepámos uma parede de lama imensa em que tínhamos que encontrar socalcos mais ou menos firmes para subir. A A.L. começou a ficar para trás e a queixar-se de dores nas costas...
Começámos a subir a montanha e o granizo a atacar-nos com força. Só imaginávamos apanhar neve lá em cima...
Pior que a parede de lama, tivemos que trepar um muro de pedras, mais alto que eu, que se tinha transformado numa pequena queda de água...

Passamos por várias pontes rústicas de madeira. Uma delas mesmo em frente a uma cascata que, nesse dia, graças à chuva, estava gigante. A força da água era tanta que sentíamos as gotas do vapor de água na cara. Um cenário simplesmente magnífico! Lindo, lindo!
Lembro-me de pensar "isto sim, são os Abutres..."
(Tenho pena que a amostra não faça jus ao que vimos...)



(ali vou eu! ;)

A subida da montanha foi-se fazendo nas calmas. Subíamos agarrados a cordas, correntes, de gatas, como calhava! Apesar do frio e da chuva que nos ia dando algumas tréguas, sentia-me bem. Não estava ainda muito cansada e fui incentivando a A.L. a continuar e a ir bebendo água aos poucos. Tínhamos que chegar, pelo menos, ao Posto de Abastecimento dos 17km que sabíamos ser já a descer. Ela que é uma força da natureza, estava de rastos, com dores "nos rins" e as mãos a inchar... :S

Cheguei ao ponto mais alto e percebi que a A.L. estava um pouco mais para trás. Lá em cima estava um vento gélido. As minhas luvas, mesmo meio molhadas e cheias de lama, conseguiam manter as minhas mãos quentes, graças à capinha para as pontas dos dedos. Para não arrefecer, decidi continuar ao meu ritmo e esperar por ela no abastecimento.

Na descida, surgiu mais um desafio:
O trilho tinha-se transformado em linha de água. A água corria sem parar por ali abaixo e eram raros os sítios onde nos conseguíamos desviar um pouco do seu trajeto.
Siga água abaixo e não reclama! :P
De facto, era mais fácil descer por onde havia água, porque o solo era mais firme que nas margens cheias de lama. Sempre com cuidado, para não dar um malho em sítios com pedras e a usar a "minha" técnica nas descidas lamacentas.

Até que, já a ver um estradão e dois marmanjos da organização ali parados a ver-nos passar, enquanto grelhavam umas febras (nem senti fome com o cheiro, só me apeteceu aquecer aos mãos nas brasas...), existia um lago lamacento enorme...
Vai a D. cheia de confiança, à frente de uns poucos de gajos (ainda por cima! Burra de não os ter deixado passar primeiro para ver o melhor caminho...), segue em direção ao lago e, já dentro dele, com água pelos joelhos, sente o pé esquerdo a escorregar (outra vez o esquerdo!)...
Conclusão: água gelada até à cintura! ;)  Só não mergulhei, porque fiquei segura num tronco que estava debaixo de água (ufa!).
Mando uns berros. Os meus companheiros de luta ajudam-me a sair da água e perguntam-me se estou bem, se me magoei. "Não, estou bem. É a água!...". Eles "tá fria?!". Eu "Nãaaaaoo, tá booooaaaa!" :P

Toca a correr dali para fora, para tentar aquecer. O abastecimento dos 17km estava a uns metros... Gondramaz, uma pequena aldeia no meio do nada, mesmo muito gira. Hei-de lá voltar.
Parei. Neste abastecimento, como nos outros todos. Coisa que não costumo sentir necessidade nas provas, mas nos Abutres era crucial. Além disso, queria ver como estava a A.L.
Esperei um pouco, comi uns deliciosos bocados de laranja, banana e uns quadradinhos de marmelada. A minha colega de equipa tardava em aparecer e eu estava a ficar gelada...


Decidi continuar. Não sem antes pedir a umas pessoas que estavam ali a assistir para a avisarem que eu tive de continuar para não arrefecer mais.
Logo a seguir, vi o J.P. (que bom ver uma cara conhecida!), marido da A.L. Estava a ver se nós passávamos. Pedi-lhe que voltasse para trás e fosse ao encontro dela. A minha colega optou por desistir neste ponto da prova.

E eu segui sozinha. Faltavam 10km, não haviam de custar mais que os que já tinha feito...
(E vocês, se aguentaram até agora, deixem-se estar. Afinal só faltam 10km de descrição. O pior já passou... ;)

Ouvi dois corredores que iam perto de mim a queixarem-se do frio nas mãos. Comecei a mandar bocas na brincadeira "eu vou aqui com as minhas mãos quentinhas!" "estas luvas são um espetáculo! A melhor compra de sempre...". Eles entraram na brincadeira e começaram a conversar comigo. Soube de onde eram. Afinal eles conheciam provas onde eu já tinha participado e outras que foram realizadas na minha terra. E eu conhecia uma prova organizada pela equipa de um deles ;)

Seguimos por trilhos e levadas, fizemos uma pequena parte de um percurso pedestre, passámos o rio de um lado para o outro, em cima das pontezinhas de troncos, mais umas poucas vezes. Nesta zona, passaram por nós os dois primeiros classificados da Ultra, em altas velocidades, como se nada fosse (como se não levassem, pelo menos, mais 25km que nós nas pernas...).
Na altura, nem cheguei a saber o nome dos meus novos companheiros de luta... Mas, até ao último abastecimento a 5km do final, continuámos juntos, na galhofa, como se nos conhecessemos há mais tempo... Como não podia falhar, veio à baila o tema TopMáquina e respetivas Teorias-Top-do-Trail, o facto de eu ser enfermeira e, alegadamente, ter andado a meter-prá-veia e outros assuntos nessa linha... ;D ;D
Uma risada, que nos manteve bem dispostos e distraídos por um bom bocado, esquecendo um pouco as dificuldades vividas e o que ainda estava para vir até à meta...


No último abastecimento antes do fim. A A.L. e o J.P. estavam à minha espera. Incentivaram-me a continuar. A não perder muito tempo porque era uma das 10 ou 12 primeiras.
Nem sei o que me deu, até ali não tinha pensado na classificação, nunca foi o meu objetivo primário. Mas, na altura, meti na cabeça que tinha de me manter nas 10 primeiras classificadas. Afinal, não me lembrava de ser passada por nenhuma mulher pelo meio da prova, eu é que fui passando... "São só mais 5km? Ok, vamos lá!"

E, para terminar, segui outra vez sozinha.
Eram só 5km, de facto, mas não eram 5km de corrida. Destes, 3 ou mais eram de lama, pura. Mole e falsa como a que tínhamos apanhado no início... Fui andando, como pude. Ainda tive oportunidade de fazer uma pose parola para um fotógrafo que estava a seguir a um lago de lama à espera de apanhar um qualquer descuidado que lá se enfiasse... :P

Custou-me muuuiiito esta parte. Só me imaginava a perder ali o chip ou uma sapatilha e ficar ali que tempos, sozinha, à procura... Demorei imenso tempo aqui e fui passada por uma data de gente.


Acabou, finalmente, a lama e começou a corrida em plano, estrada, até chegar quase à meta. Seria um bom sprint final, não tivesse eu meio quilo de areia nas sapatilhas e mais de 20km impossíveis nas pernas. Mesmo assim, nesta fase, passei uns 3 corredores (homens, à pois é!... ;)



(a areia por baixo da sola das minhas sapatilhas. Litros e litros de água limpa depois, que os meus pais lhe passaram, para tentar tirar a lama...)

E, só para acabar em beleza, uma rampa até ao pavilhão da meta, super inclinada, escorregadia e cheia de lama... Foi o único sítio do percurso onde fui incapaz de me rir para a foto. Ainda por cima, logo aqui, fui ultrapassada por uma mulher... :S

Chego ao cimo dessa rampinha. Expiro com força, espero 2 ou 3 segundos e arranco a correr para os últimos 200m até à meta.

E já está! Aquela sensação incrível de dever cumprido! Objetivos superados!
Consegui chegar ao fim... ;)  Braços no ar, um sorriso na cara.


Comer qualquer coisa, debater-me para tirar o chip dos atacadores da sapatilha e dar um abraço os meus companheiros de luta e novos amigos do mundo trail ;)

V Trilhos dos Abutres (27K): 12.º lugar Fem., 9.º lugar Sen F (o meu escalão), 4h49. Feito. ;)
Para mim, a prova de trail running mais dura mas mais bonita de sempre!












Podem ler aqui um excelente relato de quem viveu a experiência do Ultra Abutres.

Se ainda tiverem coragem, para melhor perceberem aquilo porque passámos, deixo-vos o link de um vídeo (onde eu apareço! uhu :P).
Alerto apenas para a edição "meio-esquizo" do vídeo. Os mais sensíveis podem ficar enjoados ou a convulsivar ao fim de uns minutos... Eheheh


Fotos minhas durante a prova?
Simplesmente impossível. Para além de não ter levado nenhum aparelho à prova de água e lama, precisei das minhas duas mãos livres em todo o percurso e muito admiro quem conseguiu fazer vídeos como este...


Deixem-se de tretas, o vídeo tem 20 min e meio, ok. Eu estive lá quase 5 horas... Custa-vos assim tanto?!
Ok, façam como entenderem... :P



Pronto, já acabei.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Um bocadinho de Gerês

Há já algum tempo que queríamos passar uns dias no Gerês.
Embora a ideia fosse ir numa altura mais quente e em que desse para umas caminhadas pelos trilhos, acabamos por aproveitar o final das férias do A. e umas folguitas 
minhas juntas para, finalmente, conhecer um pouco melhor este cantinho de Portugal.

Foi mesmo uma "visita de médico". Ainda assim deu para visitar alguns pontos bem giros do Parque Nacional.



Do alto do miradouro da Pedra Bela



O rio Arado e a sua cascata magnífica


Próximo da Portela do Homem, na Mata de Albergaria

A barragem de Vilarinho das Furnas


As éguas que encontrámos à saída do restaurante, em Brufe.
A maior veio ter conosco e deixou-nos fazer festinhas ;)



Fica a vontade de voltar com dias mais compridos e mais tempo para conhecer a pé estas ricas paisagens e outros recantos que não vimos.