quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Vadia Extreme Trail - Ou um parque de diversões

Já chega de preguiça, não?
Desde o início de Julho que não participava numa prova (então escrever aqui, ui ui, já mal me lembro...), o Vadia Extreme Trail foi a prova escolhida para o recomeço de época.
Mantendo a ideia de ir a provas novas (para mim) e com o requisito de serem perto de casa, fui vendo os vídeos promocionais que aumentaram mais a curiosidade pelos trilhos de Oliveira de Azeméis.

Fui às cegas, nada de ver com antecedência gráficos nem altimetrias, não me queria assustar, afinal os 20kms tinham de ser feitos desse por onde desse. Para não variar, com treinos reduzidos ao mínimo que a vida a mais não permite.

Ambiente agradável na partida, tudo descontraído no armazém/bar da Vadia (Cerveja Artesanal, a fábrica é em Ossela, O.Azeméis, para quem nunca ouviu falar). Os briefings das provas deviam ser sempre assim, ambiente acolhedor e sem grande música stressante a lembrar o que há-de vir ;)

Logo para começar, a primeira subida da prova, que só terminava com a milha Extreme, também competitiva, aos 3kms. Boa para dispersar o pessoal e com inclinação gradual que sempre deu para habituar (mais ou menos, vá) o ritmo cardíaco. Basicamente, como tinha o drone a filmar (lol) tentei manter a passada e ainda passei uns poucos.



Como resultou, mantive essa estratégia nas paredes que se seguiram e não foram assim tão poucas. Contar os passos e tentar manter o ritmo, em pé, com as mãos nos joelhos ou mesmo de gatas por cima de pedras rolantes...

A primeira descida fez-se bem, não era tão inclinada como esperava (aqui já ia a olhar para o gráfico no dorsal). Percebi foi que o medo de esmurrar os joelhos me impediu de ficar atrás da rapariga de verde que tinha passado na subida. A partir daí andei quase até ao fim a tentar apanhar-lhe as canelas nas subidas, mas as descidas eram ainda mais perigosas. Querias outro pódio? Esquece!

Após o primeiro abastecimento - aproveito para fazer uma ressalva positiva à organização: havia pontos de água em vários sítios, felizmente, bem mais que os necessários porque tivemos uma manhã fresca e os trilhos eram na grande maioria à sombra. Melhor impossível! - entrámos numa zona técnica. Lembrava um pouco os Abutres, inicialmente com o rio ao lado, imensas raízes e terra fofa e com levadas pelo meio. Continuamos junto ao rio até chegar a um moinho com uma queda de água.


(Olhó quadrícepe top! :P)

Aproveitei para parar e filmar um bocadinho. Não tinha pressa. A rapariga de verde nunca a ia a apanhar, a menos que lhe desse a marretada e não via mais nenhuma por perto, à excepção da senhora lá atrás que volta e meia mandava um grito (a primeira vez que ouvi assustei-me - croma! - depois percebi que só se estava a divertir)  :P

O trilho seguia por cima da queda de água e a partir daí continuavamos a subir o rio, a atravessar de um lado pro outro, pé na água ou por cima de pedras super escorregadias. Segui muito devagar.
Apesar de adorar estas paisagens tou sempre a imaginar quando é que escorrego e bato com a cabeça numa pedra, por isso fui seguindo tipo lesma.
A senhora dos gritos e os amigos passaram por mim como seria de esperar... ;)


(Como se vê pelos rabos no ar, as pedras estavam bem escorregadias...)

Passando as manilhas (da foto) entrámos numa levada de cimento por baixo da autoestrada. Deu para me divertir a correr por ali fora, já vinha em lentas há uns bons minutos...

Olhando para o gráfico faltava a outra metade de subidas e não tardou a inclinar, a começar perto da Pedra Má, um conjunto de pedragulhos de granito junto da autoestrada, bem adornados pela organização, com umas correntes de segurança.


Saindo dali entrámos  num  trilho corrível que acabou num curto estradão e ainda antes de começar a subida "Rolling Stones" consegui passar a senhora dos gritos (yeah!), siga de quatro a trepar a parede de pedras que eram, de facto, rolantes! Tive que escolher o caminho o mais longe possível do pessoal que ia à frente, como medo de levar com um calhau nas trombas :P
Segui por ali acima sempre a contar os passos para me concentrar. Antes de acabar a parede, consegui apanhar o João, meu colega de equipa.
Desta vez não precisei de grande tempo para recuperar o fôlego (tás lá Daniela!) e siga a correr por ali fora.

Contas feitas, faltavam duas subidas em serra para acabar a descer até à fábrica da Vadia.

Mas antes disso, passei por um elemento da organização que me avisou do perigo da descida seguinte, e não me enganou...
Era super inclinada e terreno solto, não havia grande forma de apoiar os pés. Mais uma vez a cabecinha começou a imaginar cenários do tipo, escorregar e ir por ali a baixo aos trambolhões ou esfolar os joelhos todos. Confesso, sou uma menina! E ainda tenho o joelho a meter nojo da queda que dei num trail em Março... Portanto, siga em versão lesma e venha a próxima subida "à morte" como descreveu o rapaz da organização ;)

Também não me enganou. Era mesmo a pique.
Um dois, um dois, sempre a tentar manter a passada, controlar a respiração e a recuperar tempo.

Parei no segundo abastecimento. Sabia que faltava pouco, mas não volto a passar fome nas provas. Paro em todos os abastecimentos e nos intervalos tou fã do gel.

Descida a abrir, uma corridinha mais ou menos em plano e a última subida. Nesta fase comecei a passar o pessoal dos 11kms. Na última subida ainda conseguiu passar uma menina com o dorsal dos 20 (not bad!) e umas senhoras, suponho que dos 11, que se vinham a empurrar por ali acima.
Acho que foi a primeira vez que me senti sempre bem em subidas. Cheguei ao cimo a sorrir e ainda corri para gozar com um rapaz que nos estava a filmar enquanto subia de costas. ;)

Descemos por onde tínhamos subido na fase inicial da prova e estava a prova feita.

Só passados uns minutos de passar a meta, soube que tinha demorado apenas mais meia hora que o A. e que tinha ficado em terceiro lugar do escalão! Pamba! Mais um pódio! E uma garrafa de cerveja ;)

Resumindo: prova dura q.b., equilibrada, ligações em estradão curtas, zona muito bonita e organização sem reprimendas. Basicamente um parque de diversões para adultos que gostam de correr monte acima, monte abaixo e com rio para refrescar os pézinhos.
Vale a pena.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Nelo Tri-Epic 2018

Passados uns anos e com alguns kms de treino de corrida nas pernas, aceitei o desafio de participar no TriChallenge, aquela que até agora foi a única prova que me fez desistir...

Como o desafio ainda mete o seu respeito (35kms BTT, 15kms Trail e 6kms canoa!!!), tenho-me preparado conforme posso para o superar. A ideia será sempre e "só", chegar ao fim (apesar de sonhar com um pouco mais, claro :P)

Ora, nada melhor para treinar para uma espécie de triatlo que outra prova semelhante (apenas com menos kms na parte da canoa - 3 em vez de 6kms), e igualmente com GPS como única forma de orientação. Sendo assim, rumámos a Barcelos no fim de semana passado, com os meus sogros para tomar conta do puto, para participar no Nelo Tri Epic, uma organização dos bem conhecidos Amigos da Montanha.
O melhor e que mais aliciava o André era a ideia de poder ganhar a prova à geral e levar como prémio a canoa Nelo 510 Cup (patrocínio super espetacular da Nelo!)...

De acordo com a lista de inscritos, eu era a única mulher a fazer a prova individual. As outras participantes iam às estafetas por modalidade. Apesar disso, e mesmo sem a companhia da minha amiga que fará dupla comigo no TriChallenge, estava decidida a ir e chegar ao fim. Mais um pódio "garantido" portanto ;)

Acabámos por ficar em Braga na véspera e ainda fomos dar uma voltinha às ruas do centro histórico depois de jantar, já que era o fim de semana do São João. Mesmo de noite estava imenso calor e previa-se um bom dia de praia no sábado...


À partida, o speaker com o seu sistema de som móvel tipo troley (achei piada à coluna com rodinhas :P) veio logo falar comigo, porque supostamente eu era a única mulher no arranque. Já estava com os nervos pré-prova, mas ainda deu para trautear a música do Anselmo Ralph :D
Acabei por saber, um pouco mais tarde, que havia outra senhora na prova individual, uma espanhola, sem GPS. Não me perguntem como fez a prova, mas acredito que tenha andado sempre colada ao grupo do fim.

Arrancámos uns minutinhos depois da hora prevista e o meu GPS vai abaixo passados uns segundos!!!
Pensei que estava tramada, mas depois de o desligar e voltar a ligar (velho truque de engenharia avançada LOL) ele voltou à vida e nunca mais falhou.
Siga, pela estrada, a ganhar velocidade para não ficar muito atrás. No entanto, percebi que nem era preciso esforçar-me muito, o pessoal parecia ir a medo, afinal ainda tínhamos muitos kms pela frente...

Já no trilho, consegui passar dois meninos (adoro passar gajos eheh) e fui andando bastante tempo sozinha, a um ritmo satisfatório para mim que não percebo nada de BTT, sempre a ver se não me enganava muito com a navegação.
Depois do km 20, comecei a ver dois rapazes à minha frente e meti na ideia que havia de os ultrapassar. Há que criar objetivos para motivar  :P
O problema foi que pouco depois começamos a subir a sério, pelo meio de calhaus de granito, à bela maneira da montanha dos Amigos.
Um pouco mais à frente, acabei por conseguir apanhar os rapazes e ultrapassá-los, toda contente. Mal eu sabia que iam ser a minha companhia e apoio no trail...

Mais ou menos aos 30kms comecei a ouvir rancho, estava no Minho, carago!
Tão bom sair do monte e perceber que já estamos perto da civilização :P
Estava quase a acabar a primeira etapa!
Tirando o calor e já ter um bocadinho de fome, estava bem disposta e pronta a seguir.
A verdade é que não havia um único abastecimento de sólidos em nenhuma das etapas, só na zona de transição. Estava à espera disso e supostamente precavida, mas um dos géis que levava deve ser saltado do bolso do equipamento...

Antes de chegar à zona de transição, cruzei-me com um atleta com dorsal de trail a correr, perdido, no percurso do BTT. Tinha a certeza que ele estava enganado, não havia ali coincidência dos tracks de GPS, por isso avisei-o para voltar para trás.

Na transição, confirmei com o meu sogro que a prova do André estava a correr bem, comi o que pude, certifiquei-me que levava os flaks cheios e geis e barritas para o que fosse preciso.

Custou bastante fazer a mudança das pernas do modo bicicleta, para modo corrida. Já estava imenso calor e eu que nem gosto muito de BTT, só me imaginava a fazer os 14,5kms de trail em cima da bike...

Lá segui em passo meio lento e encontrei o atleta-perdido (esqueci-me de lhe perguntar o nome!), já tinha feito 2km a mais. Seguimos a par num single track agradável  junto ao rio e ainda acompanhámos por um bocadinho dois atletas das estafetas, todos frescos.

O calor da hora de almoço era insuportável, mesmo à sombra não se sentia grande alívio... Quando aparecia uma subidita, parava logo de correr. Ia seguindo a passo, não dava para mais.

Fui seguindo sozinha e pelos 3/4km apanhei um grupo de rapazes da zona de Vila Real que também iam quase sempre a passo. Ainda brincaram comigo "Vais ao pódio, mas ainda tens de penar!"
Agradeci com o melhor sorriso amarelo que arranjei e lá fui andando com eles até que o trilho tornou-se mais plano e acabei por recomeçar a correr, devagarinho e eles ficaram para trás.

Pelos 5,5kms, tínhamos de atravessar uma estrada bastante movimentada. Estive ali uns minutos ao sol a tentar passar e já meio desorientada, vi uma paragem de autocarro do outro lado da estrada com um banco de madeira. Tinha MESMO de parar.
Sentei-me, e acabei por me deitar logo a seguir e pôr as pernas para o ar. Estava super quente e quase de certeza hipotensa.

O grupo de rapazes apareceu, perguntaram se precisava de ajuda, mas disse-lhes para seguirem. Na altura ainda acreditava que ia recuperar.
Tentei levantar-me duas ou três vezes mas estava muito zonza...
Ia ter de desistir... Caramba, logo no início do trail!!

Quando estava a ponderar se esperava mais um pouco ou ligava para a organização, apareceu um casal de carro a oferecem-me água. Lembraram-se de vir dar apoio só porque sim. Como disse o rapaz "eu também faço trails e sei como é levar a marretada"

Entretanto, apareceram os dois rapazes que eu tinha ultrapassado no BTT, o João de Famalicão e o Miguel de Rio Tinto. Continuaram a partir daí sempre comigo.

Só me comecei a sentir melhor depois de me molharem as pernas e braços. Estava mesmo quente e sem aquela preciosa ajuda não tinha conseguido continuar.

O casal ofereceu-nos água, cola, bananas, melancia. Tinham tudo! Sem outras palavras, simplesmente fantásticos!
Já estava bem melhor quando apareceu uma carrinha da organização. Estavam uns metros à frente e o grupo de Vila Real tinha-os avisado que eu não me estava a sentir bem ;)

Com a recuperação possível, agradecemos imenso ao casal e lá segui na companhia dos meus novos amigos.

Desde esse momento, sempre que havia pontos de controlo com água, fazia questão de me molhar toda e  encher os sacos, sempre a sonhar com um mergulho no rio quando fosse a parte da canoa.

Apanhámos o grupo de Trás os Montes no ponto de controlo seguinte. Um deles estava muito em baixo, o Daniel, lembrava como eu estava há uns minutos atrás. Molhei-lhe as pernas e dei-lhe algum ânimo mas sabia que, felizmente, ele tinha companhia e eu tinha que seguir enquanto podia.

Depois de subir um bom bocado e nos debatermos com o track do GPS (se estivesse sozinha tinha-me perdido muito mais vezes...), finalmente chegámos ao marco geodésico, o pico mais alto do trail (onde me lembrava de ter passado no primeiro trail em que fiz na minha vida!). A partir daí era "só" descer até Barcelos. Foi a parte mais rápida e divertida. A saltitar pelo meio das rochas de granito.
Quase no fim da descida da montanha, acabámos por apanhar novamente o atleta-perdido. Já ia com quase 19km!!! Que pontaria pro engano :P

Nos últimos kms do trail, fui tentando correr mas a falta de sombra à chegada à cidade, estava outra vez a dar cabo de mim.
Passámos pelo riacho que nos tinham dito que existia, mas o muro para sair de lá era demasiado alto para eu conseguir trepar... Siga, ao calor...
Já em Barcelos, os meus companheiros começaram a correr e eu fui andando conforme podia, a tentar estar à sombra tanto quanto era possível.

Em 14,5km de trail devo ter feito mais de metade a andar. Nunca me tinha acontecido.
Lembrei-me imensas vezes do TSM debaixo dos 40 graus de Portalegre. Foi demais. Mas o que interessava era chegar ao fim.

Perto da zona de transição, vejo o André já sem o equipamento. Estava contente por só faltar a parte da canoa, mas ao mesmo tempo, completamente estourada! Nem me lembrei de lhe perguntar como tinha corrido a prova e em que lugar ficou.
Só lhe pedia água, cola, bananas... :P

Enchi duas garrafas de água, enfiei-me dentro do colete, dei uma beijoca ao meu pequenito que estava todo sorridente na zona da meta e segui a passo para a zona de entrada no rio.
Ainda não conseguia voltar a correr.
Tinham-nos avisado que ainda ficava a uns 300m de distância e bem que custaram a fazer esses metros.
De qualquer maneira estava feliz, eram mais ou menos 14h. Ainda tinha uma hora para fazer a parte da canoa até ao suposto limite temporal da prova.

Quando cheguei ao rio, esqueci-me de dar o tão esperado mergulho. Tava mais preocupada em orientar-te com os pedais (nem sabia que existiam pedais na canoa! :P) e pagaias!

Lá fui andando aos esses até me orientar mais ou menos com aquilo e siga rio acima.
Do lado direito começo a ver um atleta na água. Tinha virado a canoa! Pensei "tou lixada, então isto vira?"
Uns metros à frente percebi que era o atleta-perdido. Só podia!! 

Decidi continuar porque se o tentasse ajudar caía à água também. Entretanto veio um barco a motor da organização ajudá-lo a virar a canoa.

Do outro lado do rio, já vinham em sentido contrário os meus companheiros do trail. Todos contentes e a dar-me força para continuar.

Só nesta altura apareceram algumas nuvenzitas no céu e vento para ajudar a refrescar. Já me sentia outra. Só faltavam um bocadinho de nada para acabar!

Antes de chegar à bóia, ainda me atrapalhei com as algas que prendiam o leme, mas um senhor da organização que estava de canoa, veio-me dar um empurrãozinho.

Já no sentido da corrente, fui aumentando o ritmo.
Passei pelo Daniel (aquele que estava a morrer no trail como eu) e fizemos uma festa! Pensei que ele tinha desistido, mas lá vinha ele com o resto da malta de Vila Real.

Fui o mais rápido que consegui até à margem e depois de ter calçado as sapatilhas, bota a correr pelo trilho fora até às meta! Já não parei. Estava fresca e cheia de energia. Nem parecia a mesma.



Ainda deu para mandar um salto ao cruzar a meta :D

O pessoal da organização veio ter comigo a dar os parabéns. Já disse que eles foram todos super simpáticos? Acho que não, mas digo agora: impecáveis!

"Parabéns, e ainda tens direito a uma canoa!"
"O quê?!?"

Só aí fiz o clic: o André tinha ganho a prova! Uhuuuu!!!
A canoa é nossa!!!
E vai ser em rosinha-choque, como eu pedi... 😊


Antes da entrega dos prémios, já passava das 15h, vimos chegar do trail um grupo grande onde estava a outra mulher em prova individual.
A organização fez questão de esperar para ver se ela acabava a prova e ia ao pódio comigo, mas demorou bastante a ir para a canoa e lá fui eu (sozinha) mais uma vez ao pódio:

1.º lugar femininos! Eheh


Depois deste relat
o super extenso (sorry not sorry!), só posso acrescentar:

Que prova espetacular!
Recomendo! Sem dúvida alguma.

Organização 5 estrelas, super simpáticos, trilhos bem escolhidos e com técnica q.b. dada a dimensão da prova, pontos de controlo bem espalhados pelo trilho. Melhor só mesmo com um posto com comida a meio do BTT.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Ai malhão, malhão, que vida é a minha?!


7º Trail Solidário para as Associações dos Animais A4 e AAAAV?!

Bora lá que os patudos precisam de ração!
Nunca tinha participado neste trail não competitivo que já se realiza há uma série de anos, apesar de ir contribuindo volta e meia com ração e donativos para a associação local.
Comecei a criar algumas expectativas de acordo com as fotos que iam publicando dos trilhos e conhecendo quem os estava a escolher...
Sem medo, há que inscrever nos 20km. É tudo ou nada, não é?

Não contava era levar a bela malha que levei!!!

Ora bem,
Treinar que é bom, tá quieto! Abaixo do mínimo na semana passada. Uma voltinha de bike, e, e...
Dia anterior super cansativo. Jantar pizza às 22:30 já a morrer de fome. Equipamento e afins por organizar.
Uma dorzinha incomodativa na coxa direita a lembrar-me para ter juízo e ir aos 10km. Está bem, está.
Saí de casa sem o GPS nem a minha água com magnésio (e a falta que ela me fez! Ou pelo menos do efeito placebo que ela tem :P)
A organização não forneceu dados sobre o percurso, altimetria nem nada dessas "niquices". Pra quê?
E eu esqueci-me de equacionar o facto dos trilhos terem sido escolhidos pelo raio dum pókemon ultra runner, mais conhecido por Nuno... :D
Pelo menos fiquei satisfeita por ter 5 sacos grandes de ração para levar (aproveitei os meus anos para pedir ao pessoal e comprei mais dois ;)



Resultado,
Trilhos espetaculares!
Percurso muito bem escolhido e exigente o suficiente em termos de técnica e acumulado, dado ser uma zona "baixa".

Conhecia a maioria do percurso, afinal é onde temos treinado, mas tive o privilégio de passar a conhecer outras zonas aqui tão pertinho e reparar nas ligações muito bem pensadas.

Acabei por servir de "guia turístico" ao Américo (o senhor que está atrás de mim nesta foto) durante todo o percurso, mesmo para o final, quando já ia a meter nojo de tão morta e acabada que estava :P

O pedaço inicial era maioritariamente de estradão para dispersar e evitar engarrafamentos nos single tracks, exatamente como eu gosto.
De seguida entrávamos no mato com subidas e descidas mais técnicas.
Apesar de algumas (curtas) ligações por estrada, de um novo estradão ao sol que arrumou comigo e de termos passado num ponto de água antes da organização lá chegar (!), voltámos a entrar no mato, numa zona nova para mim, sempre muito interessante e corrível, se eu não estivesse a morrer, claro.

Afinal pela minha orientação, continuávamos (tenho de falar sempre no plural porque era eu e o meu amigo Américo ;) a afastar-nos da meta e além da parte física, psicologicamente já estava a ficar passada... Só pensava como é que já tinha corrido 42km no calor alentejanoMas tudo bem, não estava numa prova, há que encarar como treino e chegar ao fim.

Até que fomos passados por um rapaz que, ao contrário de nós levava GPS e nos disse que já íamos com 21km e que (já) havia água lá atrás na passagem da linha... Quê???!!!
"Vou apertar o pescoço ao Nuno!!!"

Bem, nada a fazer, siga que já não há de faltar muito. Digo eu!
O problema era a água... Estava imenso calor e eu já tinha acabado com a minha. Claro que não ficámos satisfeitos de termos passado por um ponto de água sem ela ter ainda chegado, ou até de já terem passado imensos kms ao calor desde o único abastecimento, mas lá está, era um trail solidário, não podíamos exigir muito a uma organização com tão poucos recursos. Mas pelo menos podiam ter avisado do acréscimo de kms, vá!
Já rezava por chuva, mas lá seguimos até que passámos no meio de um armazém abandonado onde tinham deixado umas benditas garrafas de água. Aleluia!


(bem mais satisfeita depois de beber água. Fotos do A.)

Deu para me animar para os últimos kms, apesar de continuar na dúvida quantos seriam...
Chegámos finalmente ao segundo abastecimento, já com +-23km e disseram-nos que se seguíssemos o trilho eram mais 3km.
Porra, tou farta de sofrer! Siga pela estrada que é mais perto e não matei ninguém. Afinal estávamos ali a feijões... Teve de ser e todos os que estavam no abastecimento nessa altura fizeram o mesmo.

Seguimos sempre a correr, ainda fizemos um pequenito desvio na parte final para voltar ao "trilho" e lá estavam a minha mãe e a minha irmã, que tinham ido à caminhada a aplaudir! Foi o melhor final ;)

Na meta o Nuno, a pedir desculpa pelos 7!!!km a mais... Ai rapaz, se o pessoal não estivesse tão cansado, tavas lixado!

E foi esta a história do malhão.
Prá semana há mais ;)



P.S. As fotos ficaram top, não acham? O rapaz tem jeito! ;)

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Em vez de rosa ou azul bebé...

... às vezes surge o negro. O outro lado da obstetrícia. Aquele que tento aceitar mas ao qual nunca me hei-de habituar.

Pode-se dizer que tenho tido sorte nos meus turnos. É que depois de mudar de serviço e passar a prestar cuidados imediatos aos recém-nascidos, regra geral, nascem bem ou então não me calha a mim essa função.
A verdade é que em mais de dois anos foi na semana passada a primeira vez que colaborei numa intubação traqueal.

Lembro-me bem do nome da mãe, de outros pormenores acerca da senhora e da cesariana em si e também que os pais ainda não tinham decidido o nome da miúda.

Nasceu antes do tempo e, soube hoje de manhã, morreu antes (?) do tempo.

Fiquei triste, pensei na mãe, no pai, na irmã mais velha... Mas o meu turno seguiu e não voltei ao assunto.

Na creche, reparei que a educadora do S. quase me pediu desculpa pelas coisinhas que tinham feito.
Só quando cheguei a casa percebi porque não consegui sorrir com as lembrancinhas do Dia da Mãe.

Tínhamos de escrever num papel que dizia "Ser mãe é..."

Estamos a pouco mais de um dia do Dia da Mãe, no meu serviço afixámos uns cartazes todos engraçados a desejar um dia feliz e preparámos umas lembranças para as parturientes, na tv o tema é super frequente, na creche também tinha umas pequenas surpresas, mas só me vem à ideia as mães de colo vazio...

Penso nesta mãe e em todas as outras que nunca o chegaram a ser biologicamente, ou que perderam os seus bebés antes ou depois de nascerem...
De todas as mães que amam para sempre, mas sem ter a quem dar esse amor.

Faz-me lembrar e agradecer muitas vezes pela sorte que tenho.
Ouvir a palavra "mamã", vê-lo a sorrir enquanto corre para mim, sentir os abracinhos fofos do meu pequenino, apreciar cada momento do seu crescimento e desenvolvimento, ensina-lo a ser melhor pessoa.



Ser mãe é ter motivos para sorrir e ser feliz todos os dias. É amar para sempre.
Foi o que escrevi no papelinho.


Um abraço apertado a todas as mamãs que amam a um céu de distância!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Uma meia, ainda é uma meia...


E não um São Silvestrezinho com 10kms para esticar as pernas...

Bocas para quem fez a prova em estafetas (11+10, meninos!!! :P) à parte, já vos conto a minha primeira experiência em provas de estrada.

Quase em cima da hora, ainda convenci o A. a participar também na Meia Maratona da Ria Aveiro.
O S. ficou com os avós que, por muito que eu publicitasse o evento, não foram grande claque... :S
Só os vimos no fim, depois de uma chamada para os localizar e, claro está, que nem sequer ao pé da meta estavam, mas uns bons metros à frente (ainda não foi desta que tive oportunidade de passar a meta com o puto ao colo como nos filmes, enfim :P)

Pelas pouquíssimas informações disponibilizadas na página do FB e regulamento escrito às 3 pancadas percebi que a organização era pró simplex e assim se confirmou.

Quando chegamos havia mais massagistas que atletas. Se calhar fomos muito cedo... Mas na via das dúvidas, há que dar tempo para levantar kits, preparar o chip, empurrar um snickers e ir 3 vezes fazer xixi :D
Afinal tinha de aproveitar o WC limpo e livre, coisa rara as provas de trail. É só mulherio!

Na partida, ainda estavam umas 200/300 pessoas. Not bad!
Supostamente íamos ter uns corredores com balões de marca-tempo (voaram todos! ;) para nos guiar ao longo da prova. Ok, vamos lá ver se consigo ficar à frente do balão da 1:50h...

O percurso era quase todo conhecido por mim, e porreiro. Só estava com receio do calor. Mas como há vários pontos de água, tá-se bem. Ou não...

Achei eu que ía haver mais gente na rua a ver-nos passar mas ainda tavam a dormir para aproveitar o feriado. Gente inteligente. Os poucos que estavam a ver, só estavam mesmo a ver, bater umas palminhas para puxar pelo pessoal tá quieto! Eu tentei, juro :P


Ainda assim, gostei de passar mesmo no centro de Aveiro e ver mais malta a aplaudir. Foi o suficiente para me animar e continuar a acreditar que afinal as provas de estrada têm imenso público como eu imaginava.

Fui seguindo a bom ritmo e aos 7 kms juntei-me a um grupo de homens e lá fomos conversando na medida do possível que sempre ajuda a passar o tempo (esqueci-me do mp3 e uma miúda tem de se distrair com qualquer coisa :P)


À boleia do grupo onde ia (malta fixe que faz trails) lá fui mantendo o ritmo, tentando esquecer que já íamos com 10kms ao sol e sem água e ainda passei umas meninas.

No ponto de água, peguei na garrafa e segui a tentar beber enquanto corria, mas não dava grande jeito e nem me sentia bem com a garrafa na mão, atira pro chão e siga.

Lá continuamos nós a 5:00/km e o sol a começar a aquecer numa reta sem fim à vista. Mas até me ia a sentir bem.
Até que aos 16kms nem com meio gel (não havia água perto para empurrar o gel todo) consegui manter o ritmo do grupo e deixei-os ir.

Ainda consegui passar mais algumas mulheres (cá para mim eram todas das estafetas) mas bastou baixar um bocadinho o ritmo para ser passada por outras tantas... Uma delas F50 (damm!)


Nos últimos kms, pelo menos não faltou a água. Lá meti a outra metade do gel já a sonhar com os abastecimentos recheados dos trails e a chegada à meta abaixo da 1:50h.

E com um boost extra de energia pela companhia do A. nos últimos metros, missão cumprida! 1:48h! Iupiii!!


Primeira meia maratona feita com direito a estreia também em virilhas assadas, tão bom! Grrrr

Resta comentar os banhos, ou melhor, a lavagem de paredes do balneário da escola secundária...
Já apanhei balneários repletos, água gelada, pouca água, mas água em fio a escorrer pela parede foi a primeira vez.
Valeu não haver lama para tirar e uma garrafita de água emprestada que sempre dava para encher e dar a sensação de limpeza...

Há que poupar água que é bem escasso.

Meias maratonas, a repetir?
Esta, duvido. Outra, logo se vê!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Trail Bela Bela 2018




Num fim de semana super concorrido em provas de trail, apesar de termos curiosidade em conhecer o Zela Ultra Maratona, não podíamos deixar de ir à terceira edição do Trail Bela Bela aqui pertinho, em Belazaima do Chão (Águeda). Fico à espera que numa próxima edição, a data não coincida...

A zona de Belazaima tem tudo para trilhos fantásticos: montanha, água, rochas, (lama) e a organização conseguiu aproveitar todas as condições do terreno, melhoradas (ou com grau de dificuldade acrescido) pelo tempo dos últimos dias e fazer uma prova muito boa!

Apesar de já ter feito uns treinos por ali, sobretudo há uns 4/5 anitos quando me comecei a interessar pelo trail, e gostar e conhecer minimamente a zona, ainda não tinha tido oportunidade para participar no evento organizado pela equipa Bela Bela, que como o nome indica é dali mesmo, Belazaima.

Pra começar, como o A., optei cheia de força (not!) pela distância maior, 30km. Tudo ou nada! Desde que não ultrapasse os 40km penso sempre que me devo aguentar, nem que seja a rastejar...
Além desta distância, havia o trail de 16km, no qual participaram os restante elementos da equipa de trail à qual agora fazemos parte, a caminhada de 8km que ainda atraiu bastante pessoal.

Mas vamos lá ao meu relato da prova, tipo 42  :P

Uns dias antes, soube que bastava chegar ao fim para subir ao pódio. A questão era chegar. 30km e 1200+ de acumulado não é assim tão pouco e com os treinos super intensivos de 8/10km uma vez por semana não estava assim tão confiante. Mas, bora lá!

A partida dos 30 foi à hora certa, logo depois de um tiro de caçadeira ("estamos numa zona de caça" diz a speaker). Nos primeiros metros ia toda satisfeita por estar a acompanhar os homens que iam todos a gerir o esforço nos primeiros kms e ainda bem que assim fiz. Nunca mais vi a minha adversária SenF (afinal na partida já éramos só duas... :S).

Os primeiros kms foram bastante giros. Passamos por umas 10 vezes, as ribeiras pelo meio de florestas de carvalho, sempre em cima de pontes construídas propositadamente pela organização. Depois de provas como os Abutres e mesmo a de há duas semanas em que atravessamos o rio com água acima do joelho, não era algo a que estivesse habituada (e ainda bem que não me habituei que ainda tinha muito rio para correr! Mas já lá vamos...). Mas dou os parabéns à organização pelo cuidado e rigor na construção e garantias de segurança das pontes, algumas com rede no chão e tudo para não escorregar. Um luxo!  ;)

Antes do primeiro abastecimento, aos 6km, já ia em segundo lugar das mulheres, e primeiro SenF e assim me mantive até ao final.

Parei em todos os abastecimentos, mesmo neste logo ao início, para comer qualquer coisa e ainda usei um gel e uma barrita. Nada de repetir o erro de ficar com fome, parar para comer e ser passada por falta de energia.

Saindo do abastecimento, começou aos poucos a subida, passando primeiro por um túnel de uns 20 metros que apesar de cheio de água, estava espetacularmente bem iluminado com uma fita de led (mais uns pontos para a organização! ;) )
Do túnel, quase até ao abastecimento seguinte, continuavamos pelo riacho de pedras. Já lá tinha passado sem água. Como estava no domingo era bem mais giro, mas de progressão lenta.

Olhando para o gráfico, tinha a primeira subida a sério para fazer e ela não tardou em aparecer, começando com uma escalada super divertida pedregulhos acima, sempre com imensa água a escorrer montanha abaixo.
Gostei muito desta parte do percurso. Todas as subidas de montanha fossem assim. Mal damos pelo desnível positivo a acumular. Foi a cota parte de skyrunning do Bela Bela :P






Fotos do Zé

Novo abastecimento aos 12kms. Curta paragem que já tinha sido passada pelos primeiros dos 16kms e não me queria atrasar muito para poder fugir à chuva que se previa a valer a partir das 13h e siga a correr montanha abaixo. Sem medo, a gozar a aderência das sapatilhas novas e a tentar ganhar tempo.

Conhecia a zona que se seguia dos primeiros PR que fiz há quase um ano com o S. pequenito no marsúpio e tinha-me parecido pelo gráfico da altimetria que seria uma descida sem grandes invenções. Desta vez não me enganei...




A paisagem estava bastante diferente de Maio do ano passado, mais verde e com muito mais água. Aliás, água foi coisa que nunca faltou nesta prova, felizmente, só mesmo a chuva foi pouca. Seguimos por uma levada junto ao rio. Apanhei um rapaz que me tinha passado na subida anterior e fiz uns kms com companhia, para variar.
Ele deu uma queda pedras ao pé da água e logo uns metros depois também fiz questão de malhar no meio de uma rocha cheia de verdete para cima do meu braço direito. Fiquei com uma dor de cotovelo, mais siga, é vida! ;)

Entramos na aldeia para o abastecimento dos 20kms. Sentia-me bem, apesar de durida da queda, e tal como nos abastecimentos anteriores, parei para comer e fiz questão de me sentar uns segundos. Nunca mais tinha voltado a ver gente para trás por isso também não havia pressa. Voltamos a entrar no mato, atravessamos o rio algumas vezes (aqui já não havia pontes para ninguém) sempre à espera do início da derradeira subida, mas o trilho mandava-nos uma e outra vez para a água.

Até que a seguir a uma zona com inclinação mais acentuada e depois de uns pingos de chuva mais grossa, lá começou o maldito estradão em ziguezague montanha acima. Pelo menos não era em descampado como no Piódão. Tinha os eucaliptos para enganar e pensarmos que terminava já ali..
Ainda deu para uma selfie, depois de ter passado o meu companheiro dos últimos kms. :D


(Nota para mim: desistir de vez das selfies!)

Finalmente vejo a copa das árvores e o bendito marco geodésico. A subida tinha terminado! Ufa! Bota a correr por ali abaixo até ao abastecimento dos 25km. Olho mais uma vez para o dorsal, pelo gráfico depois são só 5kms praticamente sempre a descer, na boa. Tá no papo. Querias...

No abastecimento várias pessoas me dizem para ter cuidado. Que agora era perigoso... Mau, o que é que vem aí. Que se lixe, só faltam 5km mesmo!


(Cara de má... Devia tar ligeiramente frustrada)

Bastaram uns metros de corrida para ficar a saber. Seguia-se uma parede de rochas escarpadas aos S para descer, num piso cheio de poças de lama preta. As bicas de Aguadalte. "Ui, isto afinal vai demorar..."


(Como é óbvio não sou eu, mas ficam com uma ideia de onde passei ;)

Siga, monte abaixo a tentar correr o possível, mas com receio de nova queda, aqui bem mais perigosa.
Até que depois de um bocadinho de estradão em que já se via as casas lá em baixo, chego ao último posto de controlo, ao pé da água. Já fazia falta, não era?



Ora pois que o pessoal pensou em nós e não quis que chegássemos à meta com o pézinho sujo e toca de seguir rio abaixo durante uns talvez 500m. "Tá quase..."

Tirando a parte da água estar fria e já me estar a fazer doer as costas, tudo bem, nao caí e bastava pensar que já faltava mesmo pouco.


(Que pena não ter fotos desta parte, mas os fotógrafos não eram assim tão doidos :P)


Mais um bocado a correr, já a ouvir o microfone (como eu gosto de ouvir o barulho da meta mesmo sem a estar a ver!) e ainda consegui passar um grupinho da caminhada (deviam ser os últimos! :P).

E pumba, tá feito!


Melhor que o pódio, que em 5 mulheres não tem grande significado, foi chegar bem disposta, sem mazelas nem grandes dores. Nada a ver com a primeira deste ano...

Escrevi imenso, mas já agora reforço os parabéns à equipa do Bela Bela.
Fizeram um esforço enorme para organizar toda a logística das 3 distâncias, marcações sem repreensões, trilhos bem pensados, divertidos e desafiantes q.b., os abastecimentos bem distribuídos e com o suficiente, o almoço impecável e bem servido, os fotógrafos já nossos conhecidos (como as Fotos do Zé, Fotojotapê, o Carlos Coelho e outros) bem distribuídos por todo o percurso, inscrição a preço acessível para variar...

Diz que pro ano tenho direito a inscrição grátis. Se depender só de mim, já lá estou com ou sem essa oferta ;)

A seguir?
Ah pois, já estou a pensar na próxima.
A minha estreia em meia-maratona. A ver vamos ;)

sábado, 24 de março de 2018

Como vão as coisas?...


Depois de um Fevereiro que me ocupou bastante tempo entre preparativos para o Carnaval e festa de aniversário do pequeno S., está na hora de vir aqui rever as minhas "resoluções" para este ano, numa espécie de revisão do primeiro trimestre.


Antes disso,

Tinha algumas ideias de posts e até fui tirando umas fotos e tudo, só que eram todas em relação a trabalhos manuais e bebés (um bebé, o meu, claro) mas não queria que isto parecesse o Mundo de Sofia (refiro-me ao programa da Sic Mulher, não ao livro), por isso acabei por não fazer post nenhum e agora já vai tarde.

Mesmo assim, levanto um bocadinho pano.
Olhem como ficou o meu pinguimzito:

Apesar de ter trabalhado os dias todos de Carnaval, ainda consegui chegar a casa, vesti-lo e ir ver o final de um desfile ;)


Aqui está o bolo para bebés (sem açúcar e sem chocolate - a cobertura é creme de alfarroba) que basicamente, só eu e ele comemos :P




Ainda em Fevereiro, fomos fazer a primeira visita do ano à praia...


Era suposto ter começado Março com um trail aqui perto, mas foi adiado por causa da chuva/cheias e só deve acontecer amanhã.
À conta disso, fui trocando os turnos de domingo para estar livre para quando fosse agendado e em vez de irmos correr, aproveitamos para uns passeios em família.

Aqui ia o S. dois dias antes de dar os primeiros passos. Já só queria andar agarrado a um dedo. Agora, quase que corre! :P


Ora então,

1 e 2. Já estou inscrita (é um começo, vá!) em 4 provas aqui nas redondezas até Maio: 3 trail e uma meia maratona (maratonas são só pra Outubro, a ver vamos...)
3. Escrever? Aqui vai-se tentando. Nas minhas notas, continuo pelo menos mensalmente.
4. Fotos: passem pelo instagram ;)
5. A viagem de férias está marcada. Haja euros! Mas já está a valer a pena. E aí vamos nós de avião! ;)
6. A sala de partos está a demorar mais que o previsto. Já começo a mentalizar-me que só pro ano... :S
7. Trabalho perto de casa? Aguardemos...


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

14.02.2017

Num instante, passou 1 ano desde que te conhecemos, pequeno S.
Como hoje também é dia de recordar, deixo aqui alguns excertos do relato do dia do teu nascimento.

"Dia dos Namorados e, a partir de agora, o TEU DIA, meu amor pequenino! ❤️❤️❤️

Acordei por volta das 3 e meia, estava ansiosa com o que iria acontecer na maternidade. Sempre a achar que devia estar "atrasado" e que mais valia a Dra não fazer nada e deixar evoluir naturalmente. Estive de volta dos meus pensamentos até por volta das 5 quando fui beber um chá... Voltei para o quarto com uma moinha na zona das costas, mas nada de especial. Se calhar era só impressão minha.
Às 7 fui ao wc e ao voltar para a cama comecei a sentir contrações leves nas costas com intervalos de mais ou menos 10 min. Não doía nada de especial e deixei-me ficar na cama...
Entretanto, as contrações começaram a doer um bocadito mais, embora toleráveis com a respiração, contudo com intervalos de uns 5 min. Não estava a contar, mas pareceram-me muito seguidas. Levantei-me e fui tomar o pequeno almoço. Nem pensar sair de casa sem tomar o pequeno-almoço, imaginando que ia estar n horas sem comer!...
As contrações estavam realmente seguidas, por isso pedi ao papá para se despachar. Estava mesmo em trabalho de parto! Vim para cima vestir-me. Só me sentia bem baixada de cócoras, a respirar fundo. A meio de uma contração, eram umas 7:55 sentir rebentar a bolsa de águas. Tipo bolha. Felizmente não molhei a roupa que me tinha custado tanto vestir 😅

Pedi ao papá para antes de sairmos de casa, tirarmos a foto das 39 semanas, já que seria a última da gravidez. E desta vez, gostava que ele também aparecesse 😍
Mas já não havia grande tempo para isso, as contrações estavam a começar a apertar e os intervalos cada vez mais curtos.

Seguimos para a maternidade, estava bastante trânsito e reparei que as contrações vinham com intervalos de 3/4 min. Não me sentia nada bem sentada no carro, mas lá fui respirando e nos intervalos sorria para o papá saber que eu estava bem e ainda mandei mensagens à tia Sofia e à Julieta a contar o que estava a acontecer.
O papá foi sempre nas calmas a cumprir as normas do trânsito, apesar de me apetecer que ele ligasse os 4 piscas e toca a despachar dali para fora.

Chegámos à maternidade eram quase 9:30. O papá foi estacionar. Eu pedi à administrativa para me inscrever na urgência e disse-lhe logo que estava em TP. Passado muito pouco tempo, a Lenita veio ter comigo e disse-me para entrar. Fui para a parte da Ginecologia. A Lenita ficou admirada com a minha maneira de lidar com as contrações - preferia sempre pôr-me de cócoras ou joelhos no chão para respirar melhor. Quando a Dr Inês chegou ficou surpreendida por eu já estar assim... Ela achava apenas que eu tinha vindo à urgência nas calmas, conforme ela me pediu.
Observou-me e tinha apenas 1 cm de dilatação. Grrr
Fiquei frustrada ao ouvir isto... Mas ela acrescentou que lhe parecia que ia evoluir rápido.

O papá chegou e eu chamei-o para vir ter comigo. Como as contrações se mantinham seguidas, fui para o internamento. A Lena perguntou-me se queria ir de cadeira de rodas e eu respondi "não, ainda me atrasas o TP!". A Dra ficou toda contente de ouvir a minha resposta :)
Chegámos lá acima e estavam a limpar o quarto do pré-parto, por isso eu e outra senhora que estava na urgência fomos para um quarto com duas grávidas de pouco tempo. O papá tinha ido buscar as malas ao carro. E eu, naquele quarto apertado, só me sentia bem na bola de pilates.

Quem nos recebeu foi a Cátia, admirada de eu estar grávida. Passou por mim no corredor, a Dra Adelaide que me perguntou o porquê de eu ter vindo parir na MBB, respondi-lhe "então assim posso fazer o pele a pele" :)
Na altura conseguia sorrir nos intervalos. Estava feliz por estar quase a conhecer-te e sentia que conseguia controlar bem a dor.

O papá ligou-me a dizer que ninguém o atendia na urgência por causa das malas. Acabei por ir eu de escadas ter com ele para o deixar entrar. Tudo para ver se acelerava o parto e não estar no quarto...
Do meu lado esquerdo no quarto, estava uma senhora muito chata, sempre a tentar falar para mim, mas eu nem lhe conseguia responder, estive tão pouco tempo lá no quarto, mas já não a podia ouvir, distraía-me da respiração.
Troquei a roupa que trazia por uma camisa de dormir na casa de banho, onde senti várias contrações seguidas.

Voltei para o quarto e a Cátia queria-me pôr o registo, mas eu não me sentia nada bem deitada, precisava de me mexer! Ela viu que eu estava aflita e decidiu observar-me antes do registo. Estava com 2,5cm de dilatação e com as dores que senti na marquesa, imagino que ela tenha dado "um jeitinho"... 😁 Ligou, logo a seguir para a sala a sugerir a minha transferência e analgesia epidural. A Dra Margarida ficou meio aparvalhada com a sugestão, até porque não sabia que Daniela ela se estava a referir, mas estava bem disposta e fartou-se de brincar com a situação ;)

Entrei na sala pelo meu próprio pé. Estava bem naquele instante. Não me lembro de ter visto o papá antes de ir para a sala, mas acho que sim porque ainda voltei para o quarto uns segundos... Na sala estava além da Dra Margarida, a Filipa Leite (fiquei tão contente de a ver! Imaginei logo que fosse ela a fazer o parto 😊), o TóZé e a Luísa.
Mal entramos no quarto 3 da sala de partos, tive uma contração forte e pus-me de cócoras com as mãos dadas. Eles acharam piada à minha reação e a Luísa tirou-me uma foto 🙈. Parecia que agora as contrações duravam uma eternidade a passar.
Entretanto, a Filipa pediu-me para deitar para colocar o registo. Eram 10:40 quando iniciou o registo. Antes disso, mal senti outra contração dei um salto na cama para me ajoelhar agarrada à cabeceira. Até se assustaram porque me mexi mesmo muito rápido! Nem eu sei como fiz aquilo 😅. A Luísa quis me tirar outra foto, mas pedi para não tirar.
Lá me controlei, obriguei-me a deitar. Vieram as minhas colegas Isabel Costa, Teresa e a nova colega Angela, com o carrinho da epidural. Antes de iniciarem a técnica apareceu a Susana com as mãos muito frias que me souberam tão bem... Estava com medo de me mexer durante a epidural, mas consegui controlar-me muito bem (acho eu!) e além disso, a Dra foi super rápida e não me magoou nadinha. Só ardeu a lidocaina. Fiz questão de dizer que não sabia como as sras se queixam tanto. Nem me lembro de sentir o choque...
Demorou um bocadinho a fazer efeito, mas ao fim de duas ou três contrações, senti a dor a aliviar e as pernas a ficarem dormentes.

O papá entrou, trazido pela Dra Margarida. Ri-me por ter a bata ao contrário ;). Dentro do possível, ao longo do tempo que estive na sala, fiz questão que ele soubesse que eu estava bem. Afinal estava feliz, era o teu dia, o dia em que finalmente te íamos conhecer cá fora! 😍

Ao longo da manhã tive várias visitas das minhas colegas, a Catarina, a Marta, a Susana, as colegas que estavam na sala de partos, a Cátia que voltou para ver como eu estava... Fui mandando mensagens pelo Messenger e telemóvel, a dar informações à tia Sofia, à Julieta, às primas de Trás os Montes e a várias amigas que já foram ou estão quase a ser mamãs.
Passado um pouco fui observada e já estava com 4cm. Fiquei aliviada por ver que, apesar da epidural estava a evoluir. De qualquer maneira, tinha ficado a perfusão desligada desde a colocação do cateter. Ligaram entretanto e a sensação de pernas demasiado dormentes começou a fazer-se sentir. Era muito estranho estar assim, sentia-me enorme e pensava muitas vezes se não estaria a atrasar o trabalho de parto... Pedi para baixar a perfusão, mas passado algum tempo comecei a sentir dor, à esquerda. Tive que levar reforço e aumentaram novamente a perfusão... 😬
Ainda tive esperança que o parto se desse até às 16h para ser a Filipa, mas não deu... A Sra da sala 1 foi para cesariana e na sala 2 entrou uma Sra pouco depois de mim que pariu por volta das 17h. Penso que seria a Sra que tinha entrado ao mesmo tempo que eu na urgência...
Apesar de estar ali à espera, deitada, sem comer, as horas foram-se passando e estava bem disposta. Ajudava a passar o tempo, as visitas das colegas do bloco (...) e poder usar a internet 🤓. Tentaram convencer o Amílcar que te íamos mudar o nome para Valentim e, pelos vistos ele acreditou 😜

Volta e meia lá vinha a dor à esquerda, do fundo da coluna para a anca. Já tinha a perna toda dormente mas só aliviava com os bólus. Parecia-me que seria da minha posição mantida ao fim de tantas horas... A dilatação foi evoluindo, 5/6 cm, depois 7/8cm, mas com apresentação direita posterior, o que me fazia pensar que seria preciso fazer um esforço maior para tu saíres. Fui fazendo previsões da hora, calculei que seria pelas 20h e qualquer coisa. 

Ao longo da tarde fui observada pela Dra Inês e pela Dra Tânia Ascensão. Da parte da tarde, estavam na Sala a Sandra Sobreiro, a Flor e a Cláudia Dias. Entrou uma senhora para o quarto 2 que pariu uns minutos depois. Depois desse parto, ficamos só nós na sala.

Recebi a visita da Regina que só se foi embora, depois da tia Tânia vir ter conosco ao fim da tarde. A Catarina também fez questão de nos fazer companhia quase uma hora depois do horário de saída, já que tinha tido uma urgência no bloco. A tia Tânia ficou sempre a acompanhar-nos até ao fim. Fez-me umas massagens de pressão nas costas que me aliviaram imenso a dor à esquerda. Foi super querida e não arredou pé nos momentos mais importantes. A tia Sara também esteve conosco desde o fim do dia até tu nasceres. Ouvir as conversas das minhas amigas ajudava a passar o tempo. 

Por volta das 20h estava com a dilatação quase completa e disse à tia Sofia que podia jantar nas calmas e vir, porque sabia que ia demorar um pouco mais a nascer. Quando a tia e a avó Fátima chegaram, tinha eu a começado a fazer força.

Ao início era meio estranho fazer força com as pernas dormentes, mas pedi à Cláudia para durante a observação me dar indicações sobre a maneira mais correta de puxar, de modo a que ela sentisse diferença. E lá fui fazendo força a ver se descias...

Fiz força durante uma hora mais ou menos, de lado, com a cabeceira elevada e um lençol a apoiar a perna de baixo, enquanto eu segurava a perna de cima. As minhas amigas, a tia Sofia e a avó estavam do lado de fora, no corredor, mas com a porta aberta e iam conversando. Tentei fazer força sentada e, pela primeira vez, tiveste uma desaceleração no registo e eu senti que estava com a tensão baixa. Passou rápido, mas a Sandra pediu às minhas amigas que ficassem do lado de fora, com a porta fechada e a partir daí estive concentrada na tarefa apenas com o papá ao pé de mim. A tia Tânia, ficou na sala de partos, pertinho da porta do quarto.

Ao fim dessa hora, fui observada novamente pela Dra Inês que me perguntou se eu queria continuar a fazer força ou se queria uma ajudinha. Respondi logo que preferia tentar mais um bocado. Não tinha dor nem estava cansada, por isso, porque não? Imaginei sempre que a ajuda fosse uma ventosa, e não havia naquele momento necessidade nenhuma de te sujeitar a isso...

A Sandra sugeriu que tentasse fazer força de cócoras. Experimentámos para ver se toleravas e como estava tudo ok, assim fiz, parecia um sapo, sentada a tentar empurrar-te cá para fora. 😊
Reparei que ao longo deste tempo em que fiz força, o teu registo foi sempre maravilhoso, nem um sinal de sofrimento ou aperto. Estavas cheio de energia, a curtir o trabalho de parto, como se nada fosse 😎

Tinha passado pouco tempo quando comecei a sentir dor ao fundo da coluna, sempre que vinha uma contração. Como me ia concentrando na força, era mais fácil de tolerar até que se foi tornando cada vez mais difícil... Disse ao papá que talvez tivesse que desistir de fazer força sozinha e teria que ser um parto instrumentado. Ainda assim, estive quase uma hora nesta posição até que a Dra Inês me observou novamente, insistiu mais um pouco com os puxes, a Florbela fez força em cima da minha barriga para testar de notavam diferenças e nada. "Vamos fazer cesariana".

"Cesariana?"

Nunca imaginei ouvir esta palavra e caiu em mim com um peso enorme... Comecei a chorar agarrada às mãos do papá, mal o deixaram entrar novamente na sala.

Não me apercebi praticamente dos preparativos para ir parto bloco. Só chorava e tentava acalmar-me com o apoio do papá. Não cheguei a ver a avó nem a tia antes de entrar para o bloco.
Fui transferida cheia de dores nas costas sempre que a contração apertava. Aqui não conseguia de todo controlar-me. Estava muito triste com o desfecho ao fim de 12 horas na sala de partos...

A tia Tânia equipou-se e entrou para o bloco. Ficou sempre junto a mim e ficou combinado que era ela que te ia receber e vestir.

Pedi para me preparem para fazer o contacto pele a pele. Nem deixaria eu que acontecesse de outra forma, já que tinha de ser cesariana...
Estava preocupada por causa disso, porque parecia que a epidural nunca mais fazia efeito. A Dra Inês e a Dra Ana Raquel iam preparando as coisas super depressa...
Eu só pensava que deviam esperar um bocadinho, não queria nada ter de levar propofol e não te ouvir chorar ou perder a oportunidade de te receber no meu colo.
Pedi à Tânia que me beliscasse a barriga e continuava a sentir um bocadinho de dor. A Dra Margarida fez o teste do álcool e eu senti a temperatura...
No entanto, quando pinçaram a barriga não tive dor e a cesariana começou. Sentia e sabia de cor e salteado tudo o que estavam a fazer.

Lembrei-me da prima Catarina que não tolerou estas sensações, mas a mim não me fez diferença, felizmente. Doeu talvez quando afastaram os músculos mas depois de mais um reforço da epidural, fiquei bem. Também fez impressão quando empurraram a minha barriga para tu saíres, mas foi muito rápido.

A Sara ficou de fora a fazer de elo de comunicação com a família. Assim eles estiveram sempre informados do estado das coisas e puderam entrar para a sala dos recém nascidos e ver-te segundos depois do nascimento.

A Claudia fez uma reportagem fotográfica espetacular! Eu nem percebi, mas ela entrou no bloco e captou a tua saída para o mundo.

💙 Nasceste assim às 22:15h do dia 14.02.2017, Simão, o meu amor pequenino grande! ❤️

Ouvi-te logo chorar.
A Tânia pegou em ti e mostrou-me a tua carinha. Achei-te bonito. Não me lembro se chorei, mas acho que sim, pelas fotos...
Senti-me estranha. Não foi de imediato que acreditei que era tua mãe e tu o meu filho. Mas ao mesmo tempo, tive a sensação de "finalmente estás cá fora!"

Ouvi risos do outro lado da porta. Estavam a comentar o tamanho da tua pilinha ☺️🙊

Uns minutitos depois, ouvi teu peso 3710 gramas! Ainda estava sentida, mas ao ouvir que eras tão grande, percebi que tinha sido o melhor para nós os dois...

Preparam-me para te receber e lá vieste tu, com a fralda, o gorro e as meias 😍
Deitaram-te de lado e tu sempre a chorar...
Falei para ti, dei-te beijinhos, mas demoravas a acalmar. E choravas com vigor!

A Cristina sugeriu que te pusesse a mamar, achei que era cedo, mas mal te viraram de barriga para baixo, de encontro com a minha, levantaste a cabecinha e abriste a boca para abocanhar a mama! Dei-te uma ajudinha e começaste a mamar, ao mesmo tempo que senti as tuas perninhas a gatinhar para te acomodares melhor à mama 😍
Senti um orgulho enorme de ti!
Parece que adivinhaste o meu papel na implementação do procedimento e não me deixaste ficar nada mal! 👏🏼💙

Estares comigo durante o resto do tempo da cesariana distraiu-me do resto. A Tânia voltou com a máquina e tirou umas fotos da tua primeira mamada. São recordações lindas para toda a nossa vida!❤️

No final da cesariana levaram-te para seres vestido pela Tânia com a ajuda da Isaura. A Cláudia continuou com as fotos. Fartaste-te de chorar! 😜

Ainda perguntei à Cristina se tinha muita gordurinha subcutânea e ela disse "nada, sequinha" 😎. A Carla estava de volta dos registos no computador e eu já me sentia bem para ir colaborando com a Cristina nas limpezas finais. Mas tinha as pernas dormentes e ia deixando cair a perna para fora da mesa 😅

Neste intervalo, foste ao colo do papá e da avó que estava super nervosa e sempre a dizer que tu tinhas fome, segundo contou a Sofia ;)

Ainda te trouxeram para a minha mama quando eu já estava pronta, mas vieram logo buscar-nos. Só à saída da sala vi novamente o papá a quem dei muitos beijinhos e a avó e a tia Sofia. Elas ainda subiram para o 3 piso mas foram logo embora. Tive pena porque queria saber a reação delas quando te viram...

Ficaste junto a mim a mamar e o papá também até perto da meia noite. Demos muitos beijinhos. Estávamos tão felizes de te ter aqui conosco! ❤️"




"(Nota: escrevi todo o relato do parto dia 25.02, contigo a dormir ao meu colinho, com a cabeça no meu peito, depois de teres mamado. Ficaste todo vermelhinho de estares tão quentinho e volta e meia choraste. Parecia que estavas a ter pesadelos ou a sentir comigo, as partes mais difíceis deste relato...
Amo-te muito meu bebé!)"